Confissões

DISTIMIA

(…) eu não sou capaz de compreender inteiramente o que sou. Será o espírito demasiado estreito para conter a si mesmo? Onde, então, está o que ele não pode conter de si? Estaria fora dele, e não nele? Como, então, o contém?

Esta idéia me provoca grande admiração, e me enche de espanto. Viajam os homens para admirar as alturas dos montes, as grandes ondas do mar, as largas correntes dos rios, a imensidão do oceano, a órbita dos astros, e se esquecem de si mesmos!

(Santo Agostinho, Confissões, Livro Décimo)

Serviço de Atendimento Online

Agora, estou abrindo a possibilidade de agendamentos e dos atendimentos serem feitos por skype, hangout, telegram e WhatsApp. Esta opção já existia para pessoas que moravam no exterior, mas diante da realidade da pandemia e a necessidade de adoção de isolamento e distanciamento social, será estendida para todos os que necessitarem de apoio, suporte e acompanhamento.

Maiores informações:

15 991712581

psicomarcosmarinho@gmail.com

 

Passage du silence


Deve haver em algum beco sombrio, em alguma melodia dissonante, em algum sonho não tão profundo, no fluir dos ventos mais frios, para além daquela ponte talvez…. Deve haver o antídoto para os corações partidos. A cura para as feridas que as paixões nos causam. A solução inevitável e secreta para a vida que machuca. Para tudo aquilo que nos tiram. Para tudo o que nunca poderemos tocar ou ter. A redenção para os erros cometidos. A satisfação para o vazio que nos inunda quando a noite cai. O caminho certo escondido entre as folhas em que pisamos. Os espinhos dissolvidos pelas mãos do desejo. A anestesia para a dor das traições, das perdas, dos venenos, das armadilhas que nós mesmos armamos. A cura para as saudades que não cicatrizam. Deve haver, escondida em algum abismo, a escolha certa, a palavra exata e mansa. O tempo paralisado nos mostrando que tudo é possível se os espelhos também pararem de nos acusar com sua fúria. Um sussurro, uma brisa que nos arrepie a pele e nos faça ver que o amor não habita a mesma medida do tempo. E que esse sangrar interno que nos corrói será um dia lavado pelas tempestades que enfrentamos. Deve existir, em algum beijo esquecido, no toque das tuas mãos nas minhas, no fechar dos olhos por breves instantes… Deve haver o alívio que esperamos. O doce desmaiar que guiará nosso corpo latente e nu até o ponto mais inimaginável e fantástico. Um barco a nos esperar e acolher. A própria alma apontada para o destino, logo ali. Ainda temos tempo.
Por Van Luchiari ©

O igual não dói

Casal-na-Chuva

“Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”, diz o filósofo sul-coreano, Byung-Chul Han.

Desassossegos

“Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem,são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos…”

Fernando Pessoa no Livro do Desassossego

 

Nossos monstros secretos

“Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta. Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.”

(Michel Foucault)

Solidão

Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto menciona está ligado entre si, aí não há nenhuma solidão, Deixemos a árvore, olhe para dentro de si e veja a solidão, Como disse o outro, solitário andar por entre a gente, Pior do que isso, solitário estar onde nem nós próprios estamos.José Saramago, in ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’