perdas

O filho encontrado

Capacidade de reparação e resiliência oferecem sustentação à trama do filme Philomena, sobre a jornada de uma mãe, já idosa, em busca da criança que lhe foi tirada

Por Gláucia Leal

_D3S1363.NEFÉ quase  inevitável: em maior ou menor grau, adoecemos de nosso próprio passado. Restos de mágoas e ressentimentos alojam-se em nosso psiquismo como se fossem parasitas; raivas nem sempre reconhecidas transformam-se em espécies de tumores que lenta e insidiosamente minam a alegria e a possibilidade criativa. Culpas e arrependimentos desdobram-se em sintomas inusitados.

Às vezes, para fugir do que pode doer caso surja diante dos olhos, nos impomos a penumbra e nos refugiamos nos pequenos (e grandes) rituais de repetição até que o sintoma não dê mais conta do conflito que expressa.  Ao final, não importa o que façamos, sempre dói. Quando nos damos conta de que não adianta enganar o sofrimento, torna-se mais plausível rever a própria história na tentativa de fazer as pazes com aquilo que se foi – mas ainda permanece.

O filme Philomena, dirigido pelo inglês Stephen Frears, aborda essa preciosa capacidade de rever as próprias perdas sem se prender a elas de forma inexorável. Para fazer essa transição é fundamental acessar, em algum nível, um recurso subjetivo que vem atraindo a atenção de psicólogos e psicanalistas: a resiliência. O termo, “emprestado” às ciências humanas pela física, refere-se à habilidade de refazer-se de golpes emocionais sem negar a frustração ou o luto e, ainda assim, seguir em frente.