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O caminho do campo

Heidegger

“A consistência e o odor do carvalho começam a falar já perceptivelmente da lentidão e da consistência com que a arvore cresce. O próprio carvalho assegura que só este crescer pode fundar o que dura e frutifica. Crescer significa abrir-se a amplidão do céu, mas também deitar raízes na obscuridade da terra. Tudo que é verdadeiro e autentico só chega à maturidade se o homem for ao mesmo tempo, ambas as coisas: disponível ao apelo do mais alto céu e abrigado pela proteção da terra que tudo oculta e produz”.


Martim Heidegger em “O Caminho do Campo”

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A NOÇÃO FENOMENOLÓGICA DE EXISTÊNCIA

Trecho de Artigo do Profº Roberto Novaes de Sá  “A noção fenomenológica de existência e as práticas psicológicas clinicas”.

Uma das contribuições mais fundamentais da fenomenologia para a psicologia é a compreensão do modo de ser do homem como “existência”, tal como elaborada por Heidegger em sua obra “Ser e tempo”, de 1927. Embora de uso corrente nas chamadas psicologias fenomenológico-existenciais, nas correntes humanistas e mesmo tendo ganhado estatuto conceitual em outros discursos clínicos, a noção de “existência” carece ser permanentemente problematizada com relação a sua compreensão própria, pois a radicalidade que a torna um diferencial na história recente das idéias filosóficas e psicológicas tende a ser facilmente perdida em prol de um nivelamento com as concepções naturalistas mais usuais sobre o ser do homem.

Husserl

Husserl

Essa dificuldade não deriva simplesmente de uma negligência voluntária dos psicólogos que utilizam o termo. A noção de “existência” só pode ser devidamente compreendida à luz de uma atitude, ou modo específico de atenção que, segundo Husserl, não é aquele em que nos encontramos naturalmente na vida cotidiana, nem mesmo quando empregamos a racionalidade científica para abordar a realidade. A expressão “atitude natural” denomina nossa tendência de tomar todas as coisas que encontramos no mundo como se já sempre estivessem dadas aí, indiferentes à nossa relação de sentido com elas. O próprio sujeito é tomado como algo dado dentro de um mundo pré-existente a ele.

A diferença entre o modo de ser do sujeito e o das outras coisas restringe-se, a partir de uma ontologia cartesiana, em ter ou não uma natureza extensa, mas, para aquém desta diferença, ambos são ainda simplesmente dados dentro do mundo. Colocar-se numa perspectiva fenomenológica é suspender essa suposição “natural” de uma realidade “em si”, realizar uma epoché, retornando para as coisas apenas enquanto dadas à experiência. É envolver-se em um modo de atenção em que experienciamos com toda evidência que o mais “concreto” não é essa suposta “realidade em-si do mundo”, o mais “concreto” é sempre o próprio acontecimento imanente da “experiência” enquanto dinâmica constitutiva de sujeito e objeto.

Para nos auxiliar a uma aproximação compreensiva deste plano de constituição dos entes, que não é ele mesmo ente algum, podemos recorrer a um koan da tradição Zen Budista, conhecido e evocado por Heidegger em um diálogo ocorrido em 1958, em Freiburg, com o filósofo japonês da escola de Kioto e mestre zen da tradição Rinzai, Sh. Hisamatsu (Saviani, C., 2 2004, p., 92). Trata-se de uma pergunta que, ao invés de levar a uma resposta específica, visa deslocar a perspectiva de compreensão do interrogado. O mestre bate palmas com as mãos e pergunta ao discípulo:

“Qual é o som que surge de apenas uma das mãos?” (Samten, P., 2001, p. 41) Quando batemos a mão contra algo como uma mesa, um livro ou um copo de vidro, identificamos diferentes sons que são atribuídos aos próprios objetos.

Dizemos: este é o som da madeira, este do vidro, etc. Quando batemos uma mão espalmada contra a outra, de qual das mãos seria o som, sendo ambas iguais? Percebemos então que o som não é atributo de um objeto, surge da relação. Ampliando esta reflexão, podemos ver que todas as atribuições de qualidades que fazemos às c

Fábula-Mito sobre o Cuidado ou A Fábula de Higino

M. Heidegger

oisas, como se fossem características inerentes a uma substância, são frutos de uma simplificação ingênua. Antes de qualquer substância extensa ou psíquica, inferida como suporte de qualidades, há uma dinâmica de “originação interde
pendente” entre sujeito e objeto.

Podemos aproximar, com as devidas reservas, essa concepção budista da originação interdependente e a compreensão heideggeriana sobre a co-originariedade de homem e mundo. Essa abertura originária de sentido, jamais objetivável como algo dentro de um mundo pré- existente, é aquilo que Heidegger denominou como “existência”, “ser-aí” (Da-sein) ou “ser-nomundo”.

A ilusão das redes sociais

O narcisismo, a superficialidade e o distanciamento, entre outras características das relações virtuais, formam pessoas cada vez mais individualistas e egoístas.

Por Dulce Critelli – Carta na Escola

ÍndiceÉ indiscutível o importante papel que as redes sociais desempenham hoje nos rumos de nossa vida política e privada. São indiscutíveis também os avanços que introduziram nas comunicações, favorecendo o reencontro e a aproximação entre as pessoas e, se forem redes profissionais, facilitando a visibilidade e a circulação de pessoas e produtos no mercado de trabalho. A velocidade com que elas veiculam notícias, a extensão territorial alcançada e a imensa quantidade de pessoas que atingem simultaneamente não eram presumíveis cerca de uma década atrás, nem mesmo pelos seus criadores. Temos sido testemunhas, e também alvo, do seu poder de convocação e mobilização, assim como da sua eficiência em estabelecer interesses comuns rapidamente, a ponto de atuarem como disparadoras das várias manifestações e movimentos populares em todo o mundo atual.

Portanto, não podemos sequer supor que elas tragam somente meras mudanças de costumes, porque seu peso, associado ao desenvolvimento da informática, é semelhante à introdução da imprensa, da máquina a vapor ou da industrialização na dinâmica do nosso mundo. As redes sociais provocam mudanças de fundo no modo como as nossas relações ocorrem, intervindo significativamente no nosso comportamento social e político. Isso merece a nossa atenção, pois acredito que uma característica das redes sociais é, por mais contraditório que pareça, a implantação do isolamento como padrão para as relações humanas.

Ao participar das redes sociais acreditamos ter muitos amigos à nossa volta, sermos populares, estarmos ligados a todos os acontecimentos e participando efetivamente de tudo. Isso é uma verdade, mas também uma ilusão, porque essas conexões são superficiais e instáveis. Os contatos se formam e se desfazem com imensa rapidez; os vínculos estabelecidos são voláteis e atrelados a interesses momentâneos.

imagesAlém disso, as relações cultivadas nas redes sociais se baseiam na virtualidade, portanto, no distanciamento físico entre as pessoas. Isso nos permite, com facilidade, entrar em contato com as pessoas e afastá-las quando bem quisermos. Tal virtualidade garante comunicação sem intimidade. Em 1995, quando as redes sociais nem sequer eram cogitadas, o filme americano Denise Calls Up (Denise Está Chamando) já apresentava uma crítica às relações estabelecidas entre as pessoas através dos recursos da época: computador, telefone e aqueles enormes celulares. Os personagens eram alguns amigos que se comunicavam continuamente, mas tinham muitas dificuldades e até mesmo aversão de se encontrar pessoalmente. Também namoro e sexo aconteciam virtualmente.

Nunca me esqueci desse filme, impressionada que fiquei com a possibilidade, hoje tão iminente, de mutações essenciais nas condições de nossa existência. O que aconteceria conosco se não precisássemos mais da proximidade física de uns com os outros? O que morreria em nós, se essa proximidade deixasse de acontecer?
Quando Hannah Arendt, pensadora contemporânea da política, analisou os totalitarismos do século passado, apontou para o projeto desses sistemas de tornarem os homens supérfluos. Para tanto, entre outros expedientes, mantinham as pessoas isoladas umas das outras.

Separavam-nas de seus familiares, de suas comunidades, inclusive das pessoas com quem coabitavam nos galpões dos campos de concentração, instaurando entre elas a suspeita e o medo de delações. Isolavam classes sociais promovendo contendas e animosidades entre elas. Isolavam as pessoas do seu próprio eu, exaurindo-as com trabalho e mantendo-as doentes e famintas. O isolamento torna os indivíduos manipuláveis e controláveis, como coisas. Os sistemas totalitários sabem muito bem que, isolados, os homens perdem a capacidade de se expor e de agir.

Na nossa atualidade o isolamento tem um perfil diferente, porque é mais voltado para a intensificação do individualismo, cujos interesses afastam-se a cada vez mais das questões sociais. As recentes manifestações populares embora devam sua ocorrência às redes sociais, mantêm o caráter do individualismo e do isolamento, pois os participantes não criam vínculos entre si. Expressam suas opiniões, caminham juntos, mas é só isso.

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Hannah Arendt

Arendt tem por pressuposto de suas análises a condição humana da pluralidade, ou seja, o fato de vivermos entre homens e jamais chegarmos a ser nem um ser humano nem mesmo os indivíduos que somos longe da companhia dos outros. Os outros, tanto quanto o ambiente em que vivemos, nos constituem, daí que, se o distanciamento interpessoal for se estabelecendo como nova condição de existência, nossa própria humanidade poderá sofrer o impacto de uma mutação.

Os próprios equipamentos para acesso às redes, que estão conosco o tempo todo e exercem intenso fascínio sobre nós, corroboram com esse isolamento. Tenho ficado irritada com muitos de meus alunos que ficam consultando seus celulares e notebooks durante as aulas, como se estivessem fazendo anotações, mas acho que estão ligados às redes sociais. Talvez as aulas, sobretudo as de Filosofia, sejam muito chatas. Nelas não se pode pular de um assunto para outro, nem entrar em contato com múltiplas informações ao mesmo tempo, como se faz nas telas do computador, nem ficar livre de esforços do pensamento com análises e reflexões. Nas aulas não se pode passar por alto dos assuntos e situações.

Já em 1927, em seu livro Ser e Tempo, Martin Heidegger percebia esse comportamento cotidiano dos indivíduos de tomar tudo pelo aspecto e o nomeou de “avidez de novidades”. O que interessa é sempre a próxima novidade, o próximo assunto, a próxima notícia… Também identificava como “falação” um comportamento complementar: todos falam sobre tudo, sabem de tudo, mas não compreendem nada em profundidade.

Parece que “falação” e “avidez de novidades” estruturam a participação nas redes sociais. As pessoas já estão acostumadas a comentários rápidos e superficiais sobre tudo e todos. É fácil ver nesses comentários a preocupação de cada qual em simplesmente dar sua opinião, mais do que ouvir a alheia. A opinião do outro é apenas a oportunidade para se expressar a sua própria.

O outro parece importar, mas de fato não importa. Importam apenas a própria posição e a autoexposição. Daí a constante informação sobre as viagens, os pensamentos, as emoções, as atividades de alguém. É preciso estar em cena e sempre. Há nisso um evidente desenvolvimento do narcisismo e, consequentemente, do reforço do distanciamento entre as pessoas.

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Zygmunt Bauman

Faz parte desse narcisismo o fato de as pessoas terem de tratar a si mesmas como se fossem mercadorias. Em alguns de seus escritos, Zygmunt Bauman tem apontado para a necessidade das pessoas, sobretudo dos jovens, de se ocuparem sobremaneira com sua imagem nas redes sociais. Elas precisam escolher as fotos que melhor as apresentem, que as tornem atraentes e desejáveis. Aquelas que não souberem se vender correm o risco da invisibilidade e da exclusão.

Meu propósito, aqui, foi apenas o de levantar dados para uma reflexão. Mas quero acentuar que essas tendências das redes sociais – a virtualidade, o distanciamento, a superficialidade, a superfluidade do ser humano, a exposição narcísica, a ilusão de intimidade e popularidade, a “falação” e a “avidez de novidades”… – constituem o padrão de isolamento das relações pessoais. E quanto mais isolados, mais ficamos à mercê de controles e manipulações. Cada vez mais ameaçados na autoria do nosso destino pessoal e político.

Psicoterapia e a questão da técnica

postagem blog

Um elemento a ser destacado entre as contribuições que o pensamento de Heidegger pode trazer à psicoterapia é a sua meditação sobre a essência da técnica moderna enquanto um modo histórico de produção de verdade que se impõe como horizonte de sentido para o mundo contemporâneo.

A psicoterapia, sendo um produto e componente da compulsão moderna de organização e administração global da realidade, somente tem chances de se tornar um espaço de meditação liberadora de outras possibilidades históricas, na medida em que alcançar algum grau de tematização desse horizonte em que ela se constituiu.

Psicoterapia que se inspira na fenomenologia existencial.

Vida e seus sentidos na clínica psicológica. Aportes da Fenomenologia Existencial

Por Marcos E. F. Marinho

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É na fenomenologia que busco os aportes para compreender a experiência vivida de meu paciente e as questões que dele emergem. Busco pela observação uma compreensão não apriorista, sem rótulos ou pré conceitos sobre aquilo que se abrirá diante de mim, ao contrário, propõe-se junto com o paciente, um caminhar, que desenvolve, no processo psicoterapêutico, uma descrição daquilo que se vê, e assim, possibilitar que os sentidos se desvelem, a todos, psicólogo e paciente.

Uma observação, que leve em conta que o ser humano que busca apoio e ajuda, já existia em sua singularidade de percurso antes de uma possível reflexão teórica de minha parte. Portanto adota-se uma postura curiosa, “aprendente” e indagadora, de modo a se juntar elementos para uma descrição direta do fenômeno que se apresenta a partir da narrativa do paciente.

Ou seja, um caminho à coisa mesma, percorrendo algumas veredas abertas, que o fenômeno, ao mostrar-se, permite-nos ver.

Diante da narrativa do paciente, um fenômeno pode se desvelar, Martin Heidegger fala desse trabalho de desvelamento do fenômeno, de retirar do encobrimento, de desocultar, como uma busca por uma verdade que os gregos definiam como alétheia.

Para Heidegger, a não verdade não seria uma falsidade, mas um disfarce, um encobrimento, como algo velado.  Muitas vezes essa verdade do ser, se oculta inclusive do próprio ser (por exemplo na situação de terapia)

Nesta busca da verdade – alétheia, o retorno à coisa mesma se dá na forma como podemos tornar algo manifesto, deixar e fazer ver, mostrando-se a si mesmo, ou melhor, aquilo que se mostra, tal como se mostra a partir de si mesmo.

Num processo terapêutico o fenômeno trabalhado, traz velamento ou encobrimento, muitas vezes pelo cotidiano, por sistemas tradicionais, teorias, ideologias e crenças. Também se considera que o fenômeno traz as marcas da sua historicidade, traz as mudanças e movimentos que situam e dão seus contornos, tal qual se apresenta no presente, aqui e agora.

“Lenha é um antigo nome para floresta. Na floresta há caminhos que no mais das vezes, invadidos pela vegetação, terminam subitamente no não-trilhado, eles se chamam caminhos da floresta. Cada um segue um traçado separado, mas na mesma floresta. Muitas vezes parece que um se assemelha ao outro. Contudo, apenas assim parece. Lenhadores e guardas da floresta conhecem os caminhos. Eles sabem o que quer dizer estar num caminho da floresta.” Heidegger, Martin. Holzwege (inéditas) apud STEIN, E. 1999.

Ao buscar aportes da fenomenologia para dar suporte ao tranbalho clínico, mira-se nos trabalhos de Heidegger, considerado como um método fenomenológico e hermenêutico, os conceitos que se referem ao movimento de dirigir a atenção para trazer à luz o que se oculta naquilo que se mostra, precisamente o que se manifesta nisso que se mostra.

O trabalho numa perspectiva hermenêutica heideggeriana, interroga pelos sentidos, visa interpretar o que se mostra, o manifesto, mas que, no início e na maioria das vezes, não se deixa ver (se oculta).

Eis a beleza do trabalho de interpretação (do psicólogo junto com seu paciente) que a condição de psicoterapia propicia.

A concepção de sentidos adotada no trabalho terapêutico se inspira na concepção heideggeriana, que se difere do uso corriqueiro da palavra “sentidos” como sinônimo de significado. Dulce Critelli (1996) fala que a fenomenologia vê significado como um conceito de algo; uma definição a respeito do que é e como é algo, portanto tem uma concretude e uma permanência.“(…) os significados estão aderidos às coisas e são socializados, testemunhados e admitidos por todos nós” (Critelli, 1996:43).

Já o sentido não é compreendido como sinônimo para o termo significado, mas como direção, como norte, como destinação. Assim, ao pensarmos sobre um sentido de um fenômeno, estamos buscando compreender o que é e como é o manifesto de algo.

A psicoterapia com inspiração fenomenológica propõe desvelar o sentido que o Ser faz para cada um de nós naquele momento e naquele tempo e então, todo um trabalho de aprendizagem do “cuidar de si” e de escolhas existenciais passa a ser feito.

Segundo Critelli (1996), o desvelamento de um sentido ocorre quando algo sai de seu ocultamento e se revela em uma de suas possibilidades, num determinado contexto, numa determinada época.

Pensando naquilo que se convencionou-se nomear como sintomas e a tentativa de se juntar peças de um quebra cabeça psíquico de modo mecânico, como antítese de um caminho por uma compreensão fenomenológica e hermenêutica, em que, as formas de expressão de um sentido do ser e do existir no mundo que não dão conta de si, numa alienação do ser que provoca sofrimentos, angústias e experiências dolorosas de “sem saídas” existenciais.

Na psicoterapia as expressões do paciente possibilita que algo saia do ocultamento, não no total de suas possibilidades, mas totalmente numa de suas possibilidades.

No desenvolvimento do trabalho e da lida do psicólogo, por meio da escuta atenta, da relação estabelecida com o paciente, dos registros sobre a narrativa trazida e pelo intrigante trabalho de interpretação que, de certo modo, surge a possibilidade de junto com àquele que busca por ajuda, descortinar toda uma construção reveladora de como os seres humanos se relacionam com as coisas, com os outros e com o mundo; e é na fenomenologia existencial que buscamos subsídios para esta compreensão.

 

 

 

 

A psicoterapia e a questão da técnica

Índice

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um elemento a ser destacado entre as contribuições que o pensamento de Heidegger pode trazer à psicoterapia é a sua meditação sobre a essência da técnica moderna enquanto um modo histórico de produção de verdade que se impõe como horizonte de sentido para o mundo contemporâneo.

A psicoterapia, sendo um produto e componente da compulsão moderna de organização e administração global da realidade, somente tem chances de se tornar um espaço de meditação liberadora de outras possibilidades históricas, na medida em que alcançar algum grau de tematização desse horizonte em que ela se constituiu.

Ser e Tempo

by Marcos Marinho

by Marcos Marinho

‘… O penssamento vive um movimento de converter as antíteses e sínteses visíveis das representações na harmonia invisíveis de sua origem. Nesta conversão, festeja-se a autoriedade de ser e realizar-se de todo real, segundo as palavras de ser no tempo, ditas por Heráclitos: A harmonia invisível tem mais vigor de articulação do que a visível ( frag. 54). É que as coisas do pensamento são radicalmente simples. Não constituem privelégio de nenhum saber, de nenhum ter, de nenhum agir. Estão por toda parte onde se recolhe um modo de ser. Pensador é todo homem. Todos têm gosto pela revelação do mistério no des-velamento do não saber. A arte de pensar é dada por um modo extraordinário de sentir e escutar o silêncio do sentido, nos discursos das realizações. No pensamento não somos apenas enviados a remissões e referências. Não está na semântica ou na sitaxe a originariedade do pensamento. Uma paixão mais originária do que toda semântica ou qualquer sintaxe, a paixão do sentido, toma posse de nosso ser e nos faz viajar por dentro do próprio movimento de referir, de remeter, de enviar…”

(Martin Heidegger, SER E TEMPO, pag 12, 3º paragrafo)