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COPENHAGEN

 

TRAILER

A história de Willian, nova-iorquino, filho de pai dinamarquês desaparecido, viaja até Copenhagen para desfazer nós e pontos obscuros de sua história familiar, e aos poucos, essa busca vai se tornando mais ampla, quase que uma jornada em busca de si mesmo, nesse sentido lembra muito um processo de psicoterapia em que sendo fiado os tecidos de nossa história abre-se a possibilidade de descobrir quem somos, ao mesmo tempo que somos transformados nesse percurso..copenhagen

No filme Copenhagen, Willian tem em sua jornada a ajuda de Effy, que representa um papel quase que terapêutico, por ajudá-lo a enfrentar a aspereza de sua história familiar Nesse caminho ambos se afetam, se descobrem, revelam segredos, o desejo de assumirem as rédeas de suas vidas e suas limitações.

Bom, essa história é contada de modo leve, sutil e tendo como cenário Copenhague, a bela capital da Dinamarca.

 

 

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Um amor de vizinha e a morte da comédia romântica

POR José Geraldo Couto

Você já viu esse filme, com diferentes roupagens, elencos e cenários: um homem e uma mulher, que de início se antipatizam e hostilizam, passam aos poucos à compreensão mútua e finalmente ao amor. O protótipo do gênero talvez seja Aconteceu naquela noite (1934), de Frank Capra, mas cineastas como Hawks, Cukor, Wilder e Woody Allen também embaralharam e reembaralharam as cartas desse jogo com engenho e arte.

Pois bem: Um amor de vizinha, de Rob Reiner, é o mais recente rebento da linhagem. Melhor seria dizer: é o atestado do seu esgotamento. O fundo do poço. Se Melhor é impossível(1997), do mesmo roteirista (Mark Andrus), ainda era uma diluição aceitável do gênero, o novo filme é a diluição da diluição, em que não sobrou uma única ideia original, um único momento de brilho.

Vamos a uma sinopse, sem preocupação de evitar spoilers, pois tudo é previsível desde os créditos iniciais. O viúvo sexagenário Oren Little (Michael Douglas), solitário e rabugento, recebe a incumbência de cuidar da filhinha de dez anos de seu filho desajustado quando este vai passar um tempo na cadeia. A princípio Oren rejeita a menina e esta acaba sendo acolhido pela vizinha Leah (Diane Keaton), igualmente sessentona e viúva, que tenta tardiamente uma carreira de cantora de bar.

Piloto automático

Mas calma: como que por obra de um aplicativo de computador, todos os atritos se amaciam, todos os conflitos se convertem em harmonia: Oren revela-se um avô carinhoso, o filho desgarrado na verdade era um homem íntegro acusado injustamente, as farpas entre os dois veteranos vizinhos tornam-se beijos e carícias. De quebra, Oren vende sua casa por uma fortuna a um jovem casal sorridente e Leah desponta para o sucesso como cantora.

Claro que o final feliz faz parte do gênero, mas aqui é tudo tão frouxo e sem inspiração que a pergunta que fica no ar ao fim da sessão é: por que esse filme foi feito? Para cumprir uma cota de comédias dramáticas com mensagem edificante e atores famosos usando belas locações no litoral da Nova Inglaterra? As piadas são gastas, a decupagem é um enfadonho campo/contracampo, os atores parecem agir no piloto automático.

Uma única cena interessante, pelo comentário sociocultural embutido nela: Oren, tentando vender sua casa a um jovem afro-americano endinheirado, coloca a foto de outro negro elegante no porta-retratos casualmente colocado sobre uma cômoda. Durante a visita do potencial comprador, faz uma brincadeira sobre Sammy Davis Jr., mas o rapaz ignora quem seja e diz que pensou que a casa pertencesse a Common. “Quem?”, pergunta Oren, revelando não saber que a foto no porta-retratos era do rapper e ator Common.

Ideias como essa, que pululam nos melhores filmes dessa vertente, pontuando e apimentando o entrecho romântico, aqui são soterradas pelo lugar-comum e pela indolência criativa.

O pequeno fugitivo

Em contraste com a flacidez de Um amor de vizinha, tudo é frescor e encantamento em O pequeno fugitivo (1953), de Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin, que está em cartaz em São Paulo e logo deve seguir para outras cidades brasileiras. Narra-se ali, em precisas imagens em preto e branco, um dia e meio na vida de Joey (Richie Andrusco), um menino que foge de casa para Coney Island ao pensar erradamente que matou por acidente o irmão mais velho.

Durante as horas que passa na ilha, trafegando entre banhistas que abarrotam a praia e visitantes do grande parque de diversões local, Joey experimenta o terror e a maravilha de toda uma vida: a necessidade de ganhar o sustento, o medo de ser preso, a vertiginosa liberdade, o espanto das descobertas. Sem descolar em nenhum momento do personagem, o filme faz com que o espectador também viva, ele próprio, toda essa gama de sensações e percepções.

Trata-se de um filme único em vários sentidos. Seus realizadores – o escritor Ray Ashley e os fotógrafos Morris Engel e Ruth Orkin – praticamente não seguiram carreira no cinema. O filme não teve herdeiros diretos, embora tenha sido admirado por cineastas independentes de várias gerações, de John Cassavettes a Jim Jarmusch, passando por Martin Scorsese. Um “ponto fora da curva” no cinema americano, com uma pegada quase neorrealista e uma saudável autonomia com relação às convenções narrativas hollywoodianas. Em suma, um filme que não se deve perder.