amor

Amor e dependência afetiva

Por Marcos Marinho

cupido em pausaAo longo da vida vão se formando algumas convicções quando o assunto é amor, soa como verdade que são mais felizes e completas, as pessoas que estão numa relação amorosa ou que possuem uma “cara metade”, que isto seria essencial para fugirmos da solidão e nos distanciarmos da imagem de alguém incapaz em manter relações ou vínculos. Embora tenham alguma base na realidade, tais idealizações podem trazer embutidas equívocos e limitar nosso desenvolvimento pessoal e afetivo se não for bem compreendida.

Estas convicções associadas a pressões sociais e inseguranças internas podem levar a um modo de se relacionar amorosamente que sob o manto do cuidado do outro, pode esconder tentativas de controle, de se jogar um fardo sobre o par amoroso, conduzindo a relação a uma experiência a dois, sufocante, rarefeita e em ultima análise empobrecida.

Nestes casos, os sinais mais comuns e observados em casais são os relatos de sentimentos difusos de esvaziamento, de perda de energia sexual, tédio, irritabilidade, até ao ponto que estar com o omulher-infeliz-infidelidadeutro pode representar uma experiência aversiva e sufocante.

Isto não implica dizer que o outro extremo, ser negligente e desatento na relação seria uma alternativa aos excessos cometidos por uma carência ou inseguranças afetivas. Estou tratando aqui de casos mais severos, de extremos de cuidados e controles sobre o par amoroso e que podem levar ao esgotamento da relação.

Por experiência ou observação sabe-se que a relação amorosa traz alegrias e otimismo para a vida cotidiana, ainda que não pareça interessante colocar a relação amorosa como única fonte de realização pessoal, conforto e bem estar ou com ela compensar as faltas e fracassos de relações anteriores

Há uma sabedoria, sem negligenciar a relação, em desenvolver interesses e planos próprios, objetivos e sonhos que não estão necessariamente dependentes da relação amorosa, permitir-se encontrar referências que lhe possibilitem expandir sua experiência existencial e humana, enriquecendo-as e então partilhar desse caminho com o par amoroso.

Muitas vezes ocorre o inverso, as pessoas vão paulatinamente se afastando de atividades, amigos e familiares quando se inicia uma relação, tornam-se relapsas na vida profissional, nas finanças, deixando tudo e todos em segundo plano.

Quando se consegue priorizar os aspectos da vida que são singulares e pessoais, e numa experiência de alteridade compartilhamos com o par amoroso criamos as condições para continuarmos a ser admirados, amados e nossa presença reconhecida na relação.solidao

Mas se vencido pelas carências e medos, a pessoa destinar toda sua energia e foco na relação amorosa, esquecendo-se de si e de suas responsabilidades individuais, veremos pouco a pouco instalar-se ma dinâmica em que o sentimento amoroso do casal passa a ser acossado por sensações difusas e ambíguas, com riscos de desgastes, sendo a convivência percebida como fonte de angustias crescente. 

Se entendermos que uma relação satisfatória envolve o compartilhamento de experiências e sentimentos, de sonhos e projetos, mas também de momentos individuais e singulares que servem para oxigenar a relação e dar-lhes frescor, implica dizer que o respeito a si e ao seu par amoroso, aliada a um modo de amar que não aprisione, constituem-se num dos maiores desafios das relações amorosas na atualidade.

Marcos Marinho é psicólogo clinico e mestre em Psicologia pela PUC/SP. É Professor e Supervisor Clínico da Faculdade de Psicologia da Unip. Atende em consultório particular no município de Sorocaba, interior paulista.

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O mito do amor romântico

Matéria da jornalista Ana Freitas para o

Portal NEXO

mulher-infeliz-infidelidade

O conceito de “amor ideal” foi criado pela cultura ocidental; mesmo assim, perseguimos o inatingível, nos frustramos e nos sentimos inadequados quando não o alcançamos.

 

Em 1997, o psicólogo social Arthur Aron, da Universidade Estadual de Nova York, desenvolveu e publicou um estudoem que afirmou ser possível fazer com que duas pessoas desconhecidas se apaixonassem uma pela outra em poucas horas.

Ele mesmo teria atingido resultados positivos em laboratório. A técnica era relativamente simples: Aron desenvolveu 36 perguntas que os dois indivíduos deveriam responder um para o outro. No fim do questionário, os dois deveriam se encarar em silêncio por quatro minutos contados no relógio. E voilà: paixão enlatada, segundo ele.

As 36 perguntas são simples, mas obrigam os indivíduos a se exporem emocionalmente e pessoalmente. Vão desde “Se você pudesse jantar com qualquer pessoa do mundo, quem seria?” até “Qual o papel do amor e do afeto na sua vida?”.

O estudo conduzido por Aron é baseado na ideia de que demonstrar vulnerabilidades mútuas é capaz de cultivar proximidade e intimidade. O pesquisador identificou um padrão na construção de relacionamentos amorosos estáveis: transparência, entrega e sinceridade constantes, crescentes, recíprocas e pessoais. A lista de perguntas desenvolvida por ele tem como objetivo conduzir essa troca.

“Todos nós temos uma narrativa sobre nós mesmos que apresentamos para os outros, mas as perguntas do Dr. Aron fazem com que seja impossível usar essa narrativa.”

Mandy Len Catron

Colunista do The New York Times

A proposta de Aron ganhou manchetes em 2015, quando o jornal “The New York Times” publicou o texto de umacolunista, Mandy Len Catron, que disse ter se apaixonado por alguém usando a lista de perguntas em um encontro.

Com ela, voltaram ao debate os questionamentos em torno da ideia de amor romântico. Se vulnerabilidade mútua pode levar à paixão, onde fica a ideia de uma alma-gêmea? Na desconstrução do conceito de amor ideal ao qual nos agarramos culturalmente todos os dias, há a possibilidade de entender as frustrações com a vida amorosa (ou a falta dela) e o número cada vez mais alto de divórcios nas sociedades ocidentais.

A manufatura do amor

No ocidente, a noção moderna de amor romântico conceitua uma sensação mágica, incomparável. Geralmente, ele é descrito como um encontro de almas que acontece por pura sorte – predestinação, talvez – que responde às angústias e aos desejos mais básicos da vida.

Foi a idealização de Rousseau que reuniu em uma só instituição os conceitos de amor, sexo, felicidade e casamento. Antes dele, tudo era vendido separadamente.

O amor romântico idealizado se apresenta como a resposta à dúvida principal sobre o sentido da existência. Há, fundamentalmente, a ideia de completude: sem o outro, seremos eternamente incompletos.

Essas sensações não foram inventadas. Essa descrição do amor apareceu repetidas vezes ao longo da história. É possível encontrá-la, primeiro, na definição de amordescrita pelo filósofo Platão, na Grécia antiga, e em outras descrições no Império Romano, no Japão Feudal e na Grécia.

No fim do século 17, a literatura ganhou outras narrativas mais contundentes que exaltavam o amor romântico. Os exemplos mais emblemáticos são o de Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, que descrevem histórias de amantes que se viam diante de obstáculos – e essas impossibilidades eram um combustível para esse amor.

Até então, o amor romântico que tomamos como regra no ocidente aparecia somente em narrativas pontuais. O conceito do casamento, em si, não envolve “amor” na concepção. Casamentos foram criados para serem instituições econômicas, alianças forjadas para fortalecer e concentrar poder ou dinheiro.

“Antes, as pessoas não se casavam por amor. Isso é uma coisa recente já que casamento era uma coisa muito séria para se misturar com amor.”

Regina Navarro Lins

Psicanalista e escritora especializada em relacionamentos

Foi o romantismo, resumido nos ideais da Revolução Francesa, que culminou no surgimento da ideia de que o amor avassalador, único e mágico era um direito e um dever de todo ser humano, uma parte fundamental – talvez nossa única real motivação. Um dos filósofos responsáveis por essa mudança de pensamento foi o francês Jean Jacques Rousseau.

O projeto do filósofo tinha como base a ideia tradicional de família como a conhecemos. Ele criticava relações baseadas em perpetrar poder ou fortunas, que para Rousseau, impediam a construção de uma sociedade altruísta e ideal.

O filósofo acreditava que o amor conjugal – a constituição de uma família baseada no amor romântico – era o único caminho para que indivíduos se dispusessem a sacrificar os próprios interesses para o benefício comum, resultando em uma sociedade melhor.

A relação conjugal defendida por Rousseau previa que o amor e o sexo andassem juntos, porque a busca de sexo fora do casamento significava a busca por valores egoístas, como conquista e vaidade, e não a felicidade alheia e o benefício da sociedade.

FOTO: REPRODUÇÃO/CASABLANCA

FILMES COMO “CASABLANCA”, DE 1942, AJUDARAM A CONSTRUIR NO IMAGINÁRIO SOCIAL O MITO DO AMOR ROMÂNTICO

 

A idealização de Rousseau reuniu em uma só instituição os conceitos de amor, sexo, felicidade e casamento. Antes dele, tudo era vendido separadamente.

Já na Revolução Industrial, mesmo com a formação da família nuclear, formada por pai, mãe e filhos, o casamento ainda não tinha muito a ver com amor. A propagação definitiva do amor romântico idealizado veio com o surgimento da cultura de massa da televisão e do cinema, que transformou em produto o mito do amor romântico: isso começou nos anos 1940, e bons exemplos são filmes como “O Vento Levou” e “Casablanca”.

Pela primeira vez, uma sociedade inteira – a ocidental – passou a acreditar que o amor romântico, culminando em um relacionamento e depois em um casamento feliz, duradouro, monogâmico e sexualmente ativo, era a forma ideal de se relacionar com o outro.

Até hoje, a cultura pop – dos filmes à música, passando pela literatura e pela internet – é profundamente baseada nesses ideais.

Uma conta difícil de fechar

É fácil constatar que essa idealização está fadada a criar frustração. O conto de fadas ainda é usado, consciente ou inconscientemente, como referencial para qualquer relacionamento amoroso na sociedade ocidental.

“Presumimos que, comparado ao amor romântico, qualquer outro tipo de amor entre duas pessoas que se relacionam de maneira amorosa seria frio e insignificante”, escreve o psicanalista Robert A. Johnson, no livre “We – A Chave da Psicologia do Amor Romântico.

O mito do amor romântico idealiza o outro e atribui a ele características inexistentes. O conceito sugere que se você se apaixona por alguém, essa é a pessoa que vai suprir todas as suas necessidades.

Daí a ideia de que o parceiro no qual devemos mirar é alguém que provoca uma paixão avassaladora que nos faz sentir completo, nos satisfaz sexualmente, desperta em nós a vontade de morar junto para o resto da vida e dividir todos os aspectos dela – negócios, patrimônio, amigos e aspirações – só com aquela pessoa, além de ter filhos, enquanto isso nos mantendo feliz todo esse tempo.

Todos os especialistas em comportamento e psicologia social concordam: é responsabilidade demais para colocar sobre uma pessoa só. Não há pessoa ou fenômeno nenhum capaz de fazer todas essas coisas.

No entanto, porque o conceito é dado como real e possível, nos cobramos a vida toda para buscar, encontrar e sentir o tal amor romântico ideal. E se alguma dessas coisas dá errado no processo, nos sentimos inadequados, fracassados ou culpamos o companheiro.

(mais…)

Relações afetivas e sexualidade jovem.

Por Marcos E. F. Marinho

Escolher por quais caminhos seguir e que decisões tomar é difícil em qualquer fase da vida. Durante a juventude, tomar decisões e fazer escolhas são grandes tormentos, que geram dúvidas e conflitos. Quando o assunto é a sexualidade, as dúvidas parecem ser ainda maiores. O comportamento do jovem mudou nos últimos anos. A sexualidade, muito explorada pela mídia, é banalizada, assim como os relacionamentos afetivos.

A aparente liberdade – a sensação de que tudo é permitido – gera conflitos, principalmente entre os que estão vivendo um momento de transição entre a adolescência e a vida adulta. Muitas vezes se estabelece uma forte tensão entre seguir os valores familiares ou assumir o comportamento adotado pelo grupo.

Quando o caminho escolhido é o de se inserirem a qualquer custo em um grupo, os jovens adotam comportamentos rebeldes para serem aceitos – passam a consumir de forma abusiva bebidas alcoólicas e drogas e assumem comportamentos sexuais de risco. Esses comportamentos trazem resultados muitas vezes não imaginados, com consequências duradouras, como os casos de gravidez não planejada ou doenças sexualmente transmissíveis.

Os jovens estão iniciando a vida sexual mais cedo e a sexualidade tem sido discutida de forma mais “aberta” entre as pessoas e nos meios de comunicação. Não há ausência de informação, mas uma grande dificuldade de reflexão sobre o tema. Este aparente ambiente de liberalidade nas formas de viver a sexualidade ainda esconde mecanismos de repressão velada e preconceituosa sobre o assunto.

Isso fica evidente nos debates sobre as relações homossexuais, nos ambientes domésticos e familiares e em instituições como a escola e as igrejas. O mesmo pode ser refletido sobre a exploração da imagem feminina, ainda vista como objeto de consumo ou mesmo pressões de grupo sobre a questão da virgindade feminina, hoje tida como um problema para muitas jovens, levando-as a iniciar a vida sexual de forma precipitada.

Quando observamos os relacionamentos amorosos, o cenário não é menos complexo. Desde a década de 1980 utiliza-se a expressão “ficar”, uma nova forma de se relacionar em que as pessoas mantêm contatos sexuais e/ou afetivos durante um curto tempo, sem que isso signifique assumir um compromisso afetivo duradouro. Aparentemente, esta forma de relacionamento sugere maior liberdade, mas está repleta de regras que variam conforme o grupo social a que pertencem e ao momento histórico.

De todo modo, o “ficar” pode ser visto como maior possibilidade de experimentação, de conhecimento sobre si e sobre o outro – o funcionamento do próprio corpo, sensações prazerosas e de toque com o outro – sem a obrigação do compromisso, do vínculo afetivo. O seu reverso é o “ficar com” banalizar as relações, levando os jovens a ver o outro como coisa ou objeto – o que, não raro, leva a frustrações e ressentimentos.

E, ao banalizar as trocas afetivas, os jovens reproduzem a dinâmica presente no consumo, ou seja, a ordem é manter a relação enquanto ela trouxer satisfação e substituí-la por outra, se esta prometer ainda mais satisfação. Relações amorosas desse tipo, com a possibilidade de término a qualquer momento, geram ansiedade permanente.

Nota-se, a partir dos anos 1990,  a tentativa de restauração de modelos tradicionais e familiares, a adoção de alianças e anéis de compromisso e casamentos religiosos em alguns grupos juvenis; e, em grupos minoritários de ascendência religiosa, a valorização da virgindade e da castidade antes do casamento como modelos de pureza de sentimentos e aceitação da tradição. Situam-se como reação às mudanças e à fragilidade das relações e trocas afetivas e visam resgatar aspectos perdidos dos relacionamentos amorosos das gerações passadas.

De todo modo, a família, a escola e os educadores podem contribuir na reflexão sobre essas questões promovendo o debate sobre elas, dando voz e mediando as reflexões dos jovens, de forma respeitosa, oferecendo elementos para que os jovens possam, independentemente do formato, construir relações substantivas, ricas em significado, em realização amorosa e sexual, com responsabilidade sobre si e o outro.

A psicoterapia também se coloca como importante elemento de reflexão do jovem e de auxilio na constituição de sua identidade adulta nessa etapa da vida, possibilitando um processo de autoconhecimento, de escuta analítica e de ressignificação das suas relações.

Amor e posse.

terapia de casal 2

“O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.”

(FERNANDO PESSOA)

O amor em Grande Sertão: Veredas

“Sempre qflorbelaue se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.”

– João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: veredas.

O Amor não Tem nada que Ver com a Idade

Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.

Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.

José Saramago

 

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O amor

(Letra e música: Caetano Veloso e Ney Costa Santos)
Baseado em poema de Maiakovski

Talvez quem sabe, um dia
por uma alameda do zoológico
ela também chegará
ela que também amava os animais
entrará sorridente assim como está
na foto sobre a mesa
ela é tão bonita
ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão
o século trinta vencerá
o coração destroçado já
pelas mesquinharias
agora vamos alcançar tudo o que não podemos amar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis
ressuscita-me
ainda que mais não seja
porque sou poeta
e ansiava o futuro
ressuscita-me
lutando contra as misérias do quotidiano
ressuscita-me por isso
ressuscita-me
quero acabar de viver o que me cabe
minha vida para que não mais existam amores servis
ressuscita-me
para que a partir de hoje a partir de hoje
a família se transforme e o pai seja pelo menos o universo
e a mãe seja No mínimo a terra
a terra
a terra.

Quando o ciúme ultrapassa todos os límites

A manifestação do ciúme patológico, leva à distorção da percepção da realidade e pode, também, deturpar a interpretação dos fatos. 
 
Forma-se então, um círculo vicioso e pernicioso: O ciumento não perdoa e não confia. 
 
Se lhe faltam motivos no presente, busca-os no passado e até no imprevisível futuro, ainda que ilusórios, frutos de sua imaginação atormentada. 
 
Diante da gravidade das consequências desse problema, é fundamental atentar para a importância do tratamento psicológico.
 
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Terapia de Casal funciona?

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A terapia de casal não é apenas uma tábua de salvação para relacionamentos próximos do fim. O nascimento do primeiro filho, a saída dos filhos de casa e a mudança de papéis que isso implica é outra situação que leva os casais a procurar ajuda. 

A maior parte das pessoas que buscam essa modalidade de tratamento são mulheres, são as que mais tomam a iniciativa, e a principal queixa é a falta de vontade de ter relações sexuais, mas existem outros casos como nas “emergências”, causadas ´por traições ou situações de luto e depressão.

Não é raro pessoas procurarem por terapia de casal para se separar.  Nesses casos, a terapia pode ser bastante útil para trabalhar mágoas, ressentimentos, culpas e a sensação de fracasso. Sem falar na relação com os filhos, geralmente a falta de habilidade do casal faz as crianças sofrerem muito no processo de separação.

E FUNCIONA?

A terapia de casal funciona, sim. Ao menos é o que mostra a maior pesquisa clínica já feita sobre o tema. 

Psicólogos da Universidade da Califórnia, nos EUA, atenderam 134 casais em crise profunda durante um ano. Depois de 26 sessões, dois terços dos relacionamentos ficaram sensivelmente melhores.

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Cinco anos após o fim do tratamento, metade dos casais estava melhor do que antes, 25% se separaram e 25% seguiram sem mudanças. Nas grandes crises, o primeiro objetivo do psicólogo é ajudar o casal a decidir que direção seguir. Se não houver saída e  a separação for a única ou melhor solução, o terapeuta, como um parteiro, ajuda na realização daquilo que está no íntimo dos pacientes, respeitando seus valores culturais, além de uma ajuda a reduzir os danos.

O psicólogo também funciona como um tradutor, facilitando a comunicação, e consequentemente a compreensão sobre os sentimentos e expectativas do parceiro.

Em média, o atendimento dura de três meses a um ano.

“O amor nunca morre…”

“O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições. Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho.”

Anaïs Nin