Conectados e exaustos

redes sociaisConectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro. (Eliane Brum)

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Palavra e Alma.

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Diz a antropóloga Graciela Chamorro sobre o sentido da palavra para os povos Guarani:

“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados Guarani e como eles imaginam o transcendente. As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (…) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (…) Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (…) As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(…) Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (…) Ñe’ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (…) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo”.

Trecho extraído do artigo de Eliane Brum ao jornal El País cujo título é “O Golpe e os golpeados”

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Sofrimento existencial e a clínica

psisUma vez que as demandas do sofrimento existencial, endereçadas à clínica psicoterápica, cada vez mais estão relacionadas ao nivelamento histórico de sentido que pode ser computado no cálculo global de exploração e consumo, é imprescindível, para que a psicoterapia possa se constituir em um espaço de reflexão propiciador de outros modos de existir, que ela própria não permaneça subordinada a esse mesmo horizonte histórico de redução de sentido. (NOVAES e MATTAR, 2008, p.191)

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O mito do amor romântico

Matéria da jornalista Ana Freitas para o

Portal NEXO

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O conceito de “amor ideal” foi criado pela cultura ocidental; mesmo assim, perseguimos o inatingível, nos frustramos e nos sentimos inadequados quando não o alcançamos.

 

Em 1997, o psicólogo social Arthur Aron, da Universidade Estadual de Nova York, desenvolveu e publicou um estudoem que afirmou ser possível fazer com que duas pessoas desconhecidas se apaixonassem uma pela outra em poucas horas.

Ele mesmo teria atingido resultados positivos em laboratório. A técnica era relativamente simples: Aron desenvolveu 36 perguntas que os dois indivíduos deveriam responder um para o outro. No fim do questionário, os dois deveriam se encarar em silêncio por quatro minutos contados no relógio. E voilà: paixão enlatada, segundo ele.

As 36 perguntas são simples, mas obrigam os indivíduos a se exporem emocionalmente e pessoalmente. Vão desde “Se você pudesse jantar com qualquer pessoa do mundo, quem seria?” até “Qual o papel do amor e do afeto na sua vida?”.

O estudo conduzido por Aron é baseado na ideia de que demonstrar vulnerabilidades mútuas é capaz de cultivar proximidade e intimidade. O pesquisador identificou um padrão na construção de relacionamentos amorosos estáveis: transparência, entrega e sinceridade constantes, crescentes, recíprocas e pessoais. A lista de perguntas desenvolvida por ele tem como objetivo conduzir essa troca.

“Todos nós temos uma narrativa sobre nós mesmos que apresentamos para os outros, mas as perguntas do Dr. Aron fazem com que seja impossível usar essa narrativa.”

Mandy Len Catron

Colunista do The New York Times

A proposta de Aron ganhou manchetes em 2015, quando o jornal “The New York Times” publicou o texto de umacolunista, Mandy Len Catron, que disse ter se apaixonado por alguém usando a lista de perguntas em um encontro.

Com ela, voltaram ao debate os questionamentos em torno da ideia de amor romântico. Se vulnerabilidade mútua pode levar à paixão, onde fica a ideia de uma alma-gêmea? Na desconstrução do conceito de amor ideal ao qual nos agarramos culturalmente todos os dias, há a possibilidade de entender as frustrações com a vida amorosa (ou a falta dela) e o número cada vez mais alto de divórcios nas sociedades ocidentais.

A manufatura do amor

No ocidente, a noção moderna de amor romântico conceitua uma sensação mágica, incomparável. Geralmente, ele é descrito como um encontro de almas que acontece por pura sorte – predestinação, talvez – que responde às angústias e aos desejos mais básicos da vida.

Foi a idealização de Rousseau que reuniu em uma só instituição os conceitos de amor, sexo, felicidade e casamento. Antes dele, tudo era vendido separadamente.

O amor romântico idealizado se apresenta como a resposta à dúvida principal sobre o sentido da existência. Há, fundamentalmente, a ideia de completude: sem o outro, seremos eternamente incompletos.

Essas sensações não foram inventadas. Essa descrição do amor apareceu repetidas vezes ao longo da história. É possível encontrá-la, primeiro, na definição de amordescrita pelo filósofo Platão, na Grécia antiga, e em outras descrições no Império Romano, no Japão Feudal e na Grécia.

No fim do século 17, a literatura ganhou outras narrativas mais contundentes que exaltavam o amor romântico. Os exemplos mais emblemáticos são o de Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, que descrevem histórias de amantes que se viam diante de obstáculos – e essas impossibilidades eram um combustível para esse amor.

Até então, o amor romântico que tomamos como regra no ocidente aparecia somente em narrativas pontuais. O conceito do casamento, em si, não envolve “amor” na concepção. Casamentos foram criados para serem instituições econômicas, alianças forjadas para fortalecer e concentrar poder ou dinheiro.

“Antes, as pessoas não se casavam por amor. Isso é uma coisa recente já que casamento era uma coisa muito séria para se misturar com amor.”

Regina Navarro Lins

Psicanalista e escritora especializada em relacionamentos

Foi o romantismo, resumido nos ideais da Revolução Francesa, que culminou no surgimento da ideia de que o amor avassalador, único e mágico era um direito e um dever de todo ser humano, uma parte fundamental – talvez nossa única real motivação. Um dos filósofos responsáveis por essa mudança de pensamento foi o francês Jean Jacques Rousseau.

O projeto do filósofo tinha como base a ideia tradicional de família como a conhecemos. Ele criticava relações baseadas em perpetrar poder ou fortunas, que para Rousseau, impediam a construção de uma sociedade altruísta e ideal.

O filósofo acreditava que o amor conjugal – a constituição de uma família baseada no amor romântico – era o único caminho para que indivíduos se dispusessem a sacrificar os próprios interesses para o benefício comum, resultando em uma sociedade melhor.

A relação conjugal defendida por Rousseau previa que o amor e o sexo andassem juntos, porque a busca de sexo fora do casamento significava a busca por valores egoístas, como conquista e vaidade, e não a felicidade alheia e o benefício da sociedade.

FOTO: REPRODUÇÃO/CASABLANCA

FILMES COMO “CASABLANCA”, DE 1942, AJUDARAM A CONSTRUIR NO IMAGINÁRIO SOCIAL O MITO DO AMOR ROMÂNTICO

 

A idealização de Rousseau reuniu em uma só instituição os conceitos de amor, sexo, felicidade e casamento. Antes dele, tudo era vendido separadamente.

Já na Revolução Industrial, mesmo com a formação da família nuclear, formada por pai, mãe e filhos, o casamento ainda não tinha muito a ver com amor. A propagação definitiva do amor romântico idealizado veio com o surgimento da cultura de massa da televisão e do cinema, que transformou em produto o mito do amor romântico: isso começou nos anos 1940, e bons exemplos são filmes como “O Vento Levou” e “Casablanca”.

Pela primeira vez, uma sociedade inteira – a ocidental – passou a acreditar que o amor romântico, culminando em um relacionamento e depois em um casamento feliz, duradouro, monogâmico e sexualmente ativo, era a forma ideal de se relacionar com o outro.

Até hoje, a cultura pop – dos filmes à música, passando pela literatura e pela internet – é profundamente baseada nesses ideais.

Uma conta difícil de fechar

É fácil constatar que essa idealização está fadada a criar frustração. O conto de fadas ainda é usado, consciente ou inconscientemente, como referencial para qualquer relacionamento amoroso na sociedade ocidental.

“Presumimos que, comparado ao amor romântico, qualquer outro tipo de amor entre duas pessoas que se relacionam de maneira amorosa seria frio e insignificante”, escreve o psicanalista Robert A. Johnson, no livre “We – A Chave da Psicologia do Amor Romântico.

O mito do amor romântico idealiza o outro e atribui a ele características inexistentes. O conceito sugere que se você se apaixona por alguém, essa é a pessoa que vai suprir todas as suas necessidades.

Daí a ideia de que o parceiro no qual devemos mirar é alguém que provoca uma paixão avassaladora que nos faz sentir completo, nos satisfaz sexualmente, desperta em nós a vontade de morar junto para o resto da vida e dividir todos os aspectos dela – negócios, patrimônio, amigos e aspirações – só com aquela pessoa, além de ter filhos, enquanto isso nos mantendo feliz todo esse tempo.

Todos os especialistas em comportamento e psicologia social concordam: é responsabilidade demais para colocar sobre uma pessoa só. Não há pessoa ou fenômeno nenhum capaz de fazer todas essas coisas.

No entanto, porque o conceito é dado como real e possível, nos cobramos a vida toda para buscar, encontrar e sentir o tal amor romântico ideal. E se alguma dessas coisas dá errado no processo, nos sentimos inadequados, fracassados ou culpamos o companheiro.

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Procrastinação

depressao_01A palavra quer dizer adiamento, delonga. Para quem sofre com o problema cotidianamente, em geral consiste em trocar a execução de uma tarefa importante, mas pouco prazerosa, por pequenas distrações.

O hábito de perder o horário para o trabalho, apesar de ter consciência sobre o sofrimento que essa atitude pode gerar, é uma mostra de como pode ser difícil deixar de procrastinar.

A prática pode servir para adiar atividades mais prosaicas, como arrumar o quarto ou responder a um e-mail. Mas também outras mais relevantes, como terminar um relacionamento, escrever a dissertação de mestrado ou dar os passos para mudar de carreira.

Além do estresse cotidiano de chegar atrasado, a procrastinação pode tornar irrealizáveis atividades complexas que exigem constância e persistência, como aprender a tocar um instrumento, ou finalizar um livro.

Os resultados são: frustração, baixa autoestima e uma gaveta abarrotada de projetos não realizados.

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O Divórcio e as crianças

Os pais precisam ventilar os afetos entre si, exprimir suas desavenças, confessar o terapia de casal 2fracasso até amadurecer a decisão do divórcio. Colocar em palavras para não explodir em humores, depressivos ou excitados, é tarefa difícil, mas não impossível. As explosões emocionais e o conflito permanente dos pais abalam o sentimento de segurança da criança. A responsabilidade pela decisão de separar deve superar as queixas passionais. Se esse processo for bem digerido entre os pais, é possível que encontrem as palavras adequadas para expressar à criança a decisão. Não precisam nem devem explicar os motivos para justificar a culpa.

(Luciana Saddi)

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Cutting ou a automutilação

A auwindowslivewriterquetalsereinventar-7a6freinventar-3tomutilação ou cutting não tem como objetivo chamar a atenção, mas funciona como uma válvula de escape para aliviar o sofrimento. Esses pacientes acabam usando esse “analgésico” para dor emocional. Quanto mais cedo o seu transtorno for tratado, maiores são as chances de a prática não se repetir. A automutilação ou cutting é reconhecida como um transtorno mental desde 2013, no DSM V.

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Um sofrimento íntimo e indizivel

capimO suicídio de qualquer pessoa pode ser cravado na pele e penetrar nas entranhas de cada existência e, como cita Jamison (2010),

“O sofrimento do suicida é íntimo e indizível, deixando que familiares, amigos e colegas lidem com uma espécie de perda quase insondável, assim como o sentimento de culpa” (p. 27).

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Regras para o parque humano

Do site Fronteiras do Pensamento

por Peter Sloterdijk

der-philosoph-peter-sloterdijk“Livros são cartas dirigidas a amigos, apenas mais longas”, disse o poeta romântico alemão Jean Paul. É a partir dessa ideia, que o filósofo alemão Peter Sloterdijk desenvolve sua caracterização do humanismo em seu polêmico livro Regras para o parque humano.

A obra, em sua primeira parte, aponta a origem do humanismo na escrita: a forma da sociedade literária, da sociedade dos que se reúnem para ler, para dar testemunho do amor à leitura teria sido a origem do processo de humanização do ser humano na Antiguidade, entendido, à maneira da humanitas de Cícero, como uma oposição à selvageria e à brutalidade representadas pelos espetáculos no anfiteatro romano.

Para Sloterdijk, estas duas “mídias”, o anfiteatro (que ele chama “mídia desinibidora”) e o livro (“mídia domesticadora”), coexistiram na Antiguidade romana e a tarefa do humanismo seria tomar partido nesse conflito, guiando o processo de desembrutecimento do ser humano: “a humanidade consiste em escolher, para o desenvolvimento da própria natureza, as mídias domesticadoras e renunciar às desinibidoras”. Leia abaixo um excerto da obra Regras para o parque humano:

O tema latente do humanismo é o desembrutecimento do ser humano, e sua tese latente é: as boas leituras conduzem à domesticação. O fenômeno do humanismo hoje merece atenção antes de mais nada porque nos recorda — embora de forma velada e tímida — que as pessoas na cultura elitizada estão submetidas de forma constante e simultânea a dois poderes de formação — vamos aqui denominá-los, para simplificar, influências inibidoras e desinibidoras.

Faz parte do credo do humanismo a convicção de que os seres humanos são “animais influenciáveis” e de que é portanto imperativo prover-lhes o tipo certo de influências. A etiqueta “humanismo” recorda — de forma falsamente inofensiva — a contínua batalha pelo ser humano que se produz como disputa entre tendências bestializadoras e tendências domesticadoras.

Na época de Cícero, ambos os poderes de influência ainda são fáceis de identificar, pois cada um deles possui sua mídia característica. Quanto às influências bestializadoras, os romanos já tinham instalado a mais bem-sucedida rede de meios de comunicação de massa do mundo antigo, com seus anfiteatros, seu açulamento de animais, seus combates de gladiadores até a morte e seus espetáculos de execuções. Nos estádios vociferantes ao redor do Mediterrâneo, o desinibido homo inhumanus divertiu-se à larga como nunca dantes e só muito raramente depois.

Durante a época do Império, a provisão de fascínios bestializadores para as massas romanas havia se tornado uma técnica de dominação indispensável, rotineiramente aprimorada, e que, graças à fórmula “pão e circo” de Juvenal, persiste até hoje na memória.

Só se pode entender o humanismo antigo se o apreendermos também como uma tomada de partido em um conflito de mídias — isto é, como a resistência do livro contra o anfiteatro e como oposição da leitura filosófica humanizadora, provedora de paciência e criadora de consciência, contra as sensações e embriaguez desumanizadoras e impacientemente arrebatadoras dos estádios.

O que os romanos cultos chamavam humanitas seria impensável sem a exigência de abster-se da cultura de massas dos teatros da crueldade. Se o próprio humanista se perder alguma vez em meio à multidão vociferante, que seja tão-somente para constatar que também ele é um ser humano e pode, por isso, ser contagiado pela bestialização. Ele retorna do teatro para casa, envergonhado por ter compartilhado involuntariamente as contagiantes sensações, e está agora disposto a admitir que nada de humano lhe é estranho.

Mas, o que se diz com isso é que a humanidade consiste em escolher, para o desenvolvimento da própria natureza, as mídias domesticadoras, e renunciar às desinibidoras.

O sentido dessa escolha de meios consiste em desabituar-se da própria bestialidade em potencial, e pôr distância entre si e a escalada desumanizadora dos urros do teatro.

Estas considerações deixam claro que a questão do humanismo significa mais que a bucólica suposição de que a leitura forma. Ela envolve nada menos que uma antropodiceia — isto é, uma definição do ser humano em face de sua abertura biológica e de sua ambivalência moral. Acima de tudo, porém, a questão de como o ser humano poderia se tornar um ser humano verdadeiro ou real está, daqui em diante, inevitavelmente colocada como uma questão de mídia, se entendermos por mídias os meios comunitários e comunicativos pelos quais os homens se formam a si mesmos para o que podem e para o que vão se tornar.

 

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Correio do tempo

De Mário Benedetti

tempos

No correio do tempo se acumulam
a paixão desolada/ o gozo trêmulo
e lá fica esperando seu destino
a paz involuntária da infância/
há um enigma no correio do tempo
uma aldrava de queixas e candores
um dossiê de angústia/ promissória
com todos os valores declarados

No correio do tempo há alegrias
que ninguém vai exigir/que ninguém nunca
retirará/ e acabarão murchas
suspirando o sabor da intempérie
e no entanto/ do correio do tempo
sairão logo cartas voadoras
dispostas a fincar-se em algum sonho
onde aguardem os sustos do acaso

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O Psicoterapeuta na consulta inicial

Muitas pessoas recorrem a psicoterapeutas que lhes ofereçam apoio e que inspirem confiança para que possam abrir o coração. Os verdadeiros terapeutas têm a capacidade de ouvir completamente, sem preconceitos e sem fazer julgamentos. (…) Quantos são capazes de ouvir assim, com o coração transmitindo à pessoa que fala a sensação de a estar acolhendo e compreendendo ?
(…) Ouvir profundamente, escutar com compaixão é ouvir com um único objetivo: dar à outra pessoa a chance de falar o que está sentindo, para sofrer menos. Você ouve para dar à outra pessoa uma chance de desabafar, de sentir que alguém finalmente a entende. Mesmo que a outra pessoa fale durante meia hora ou quarenta e cinco minutos, ouça durante todo esse tempo, com uma única ideia na mente, um único desejo: acolhere compreender.
Mais tarde, se for necessário, você a ajudará a analisar e compreender o passado mas, nesse primeiro momento, faça apenas isso: ouça com compaixão.
Thich Nhat Hanh (2003, p. 68-9)
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