Infância

Tristeza ou depressão

Do site Hospital Albert Einstein

Se a criança fica triste por um período muito longo, os pais devem ficar alertas? “Sim, sentir tristeza, em qualquer idade, é normal, mas se isso perdura por muitas semanas pode ser algo mais grave, como depressão”, responde Fabio Sato, psiquiatra infantil do Hospital Israelita Albert Einstein.

Criança com a mão na cabeça tristePode parecer estranho falar em depressão na infância, mas ela acomete até mesmo os pequenos, em idade pré-escolar. É o chamado transtorno depressivo maior na infância, que tem como principais sintomas irritação, tristeza e choro fácil, desânimo, mudança no padrão do sono (quer dormir demais ou não sente sono), diminuição ou aumento do apetite, pensamentos ruins. “Em geral, a criança fica bem apática, não quer mais brincar, fica quieta num canto, desinteressada. E isso começa a influenciar sua rotina, torna-se uma constante, por mais que os pais se esforcem em diverti-la ou tirá-la da letargia”, explica o médico.

A boa notícia é que tem tratamento, muito similar àquele feito nos adultos, com medicamentos e psicoterapia. No entanto, apenas crianças com mais de 8 anos têm recomendação para uso de remédios desse tipo. Nessa fase, o que conta muito é o apoio da família e também da escola, que devem respeitar o momento que o pequeno está passando e não forçá-lo nem recriminá-lo quando não sente vontade de fazer atividades que são consideradas normais para as outras crianças – ele pode não querer participar de um jogo ou de um passeio, por exemplo. Um episódio depressivo na infância dura em média dez meses e cerca de 90% das crianças ficam bem.

Depressão em jovens e crianças com mais de 8 anos tem tratamento similiar ao dos adultos, com psicoterapia e medicamento

Da mesma maneira que os pequenos, os adolescentes também estão suscetíveis ao problema, especialmente as meninas, numa proporção de três para um em relação aos meninos. Os sintomas são muito parecidos com os dos adultos: aumento da necessidade de sono e do apetite, tristeza, perda de vontade de fazer as coisas que anteriormente eram prazerosas, dificuldade de manter a atenção, choro fácil, inquietação ou letargia, apatia. O tratamento é feito com a união de medicamentos e sessões de psicoterapia.


 

A criança e suas percepções sobre a vida adulta.

Exausto

 

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Quatro reflexões: outras formas de abuso infantil

Do site Obvious

Neste espaço quatro autoras da obvious fizeram uma reflexão sobre o mesmo tema: sem regras, debates prévios ou formatos estabelecidos.

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Quais seriam as outras formas de abuso infantil? Quatro autoras da obvious fizeram uma reflexão sobre o tema e expuseram da maneira, e no formato, que lhe foram conveniente. Segue abaixo as contribuições de: Paola Rodrigues, Rita L. M., Ally Collaço e Eliane Boscatto.

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Qual o papel da criança em nossa sociedade? Crescer, diriam a maioria. Obedecer os pais e estudar, para uma outra parcela. Perceber a criança como um cidadão em andamento, que merece tanto respeito quanto um homem branco de classe média no alto dos seus 30 anos é um desafio. Valorizar o brincar, políticas públicas que visem o bem da infância é ainda mais raro. Criamos a percepção de pequenos seres malignos que manipulam os pais e fazem birras em shopping.

O abuso delas é um choque para uma sociedade que ainda não percebeu que as violências sexuais não são o único mal que pode ser feito a uma criança. Exposição – resumiria como a palavra número um de uma lista tristemente grande.

Quando expomos crianças à publicidade indevida, abusamos de sua mente como uma arma contra os próprios pais, em prol de uma economia que tem prazo de validade, estamos abusando tanto quanto. Quando vestimos e tratamos crianças como adultos, obrigando-as a ter não só maturidade, mas comportamentos que ainda não lhes pertence, estamos tirando o maior bem do mundo: a liberdade de brincar enquanto ainda há tempo.

Quando expomos a mente, os sonhos e tudo que abrange o bem estar psicossocial de uma pessoa, desde seu nascimento, estamos abusando dos direitos daquele indivíduo. Quando colocamos desculpas no crescimento da economia ou que é inerente do ser humano desvalorizar a humanidade, estamos contribuindo para criar uma realidade que jamais irá criar um futuro melhor. Crianças não são o futuro, crianças são pessoas com direitos, personalidade e fragilidades, e é nosso dever respeita-las como tal.

Paola é mãe, escreve para no blog Cartas para Helena e faz parte do Movimento Infância Livre de Consumismo.

Lounge da Autora: Não matarás

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Era uma vez, em um lugar não tão distante, uma criança. Além de não ser percebida socialmente como diferente dos adultos, trajava roupas parecidas a deles, frequentava os mesmos lugares e tinha as mesmas responsabilidades. O conhecimento sempre foi priorizado; entretanto, a maneira e o que se ensinava nunca a satisfaziam. Tudo era muito chato.

Um belo dia, uma linda fada madrinha surgiu e apresentou à criança as palavras encantadas. Junto com a leitura e a escrita veio o sabor da brincadeira que proporcionava caminhos bem diferentes dos já percorridos. A pureza da criança, juntamente com a alegria da descoberta, tocou o coração de alguns adultos que passaram a entender que ela tinha necessidades e características próprias. Iniciaram, assim, uma educação diferenciada que privilegiava a infância. A literatura foi apresentada não apenas como arte, mas como, também, possibilidade de compreender a realidade que por vezes causa tantos medos, ansiedades, traumas, conflitos, dúvidas e contradições. Certa vez, os adultos e a criança caminhavam de mãos dadas pela floresta, quando de repente surgiu um monstro. A manipulação dele era tamanha que cegou os adultos, deixando a criança desprotegida e em suas mãos. Ele a trancou numa sala que tinha apenas uma porta e uma janela, várias cadeiras e um grandioso quadro preto. Todos os dias, mil palavras surgiam do quadro, porém sem o encantamento de antes. O que era mágico passou a ser trágico.

A criança cresceu. E a então adulta nunca mais foi feliz para sempre com as palavras.

Rita L.M. sempre lutou para que a leitura e a escrita sejam uma necessidade íntima e muito prazerosa; principalmente para as crianças.

Lounge da Autora: Entrelinhas

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Eu poderia falar realmente sobre crianças, protagonistas da infância, aquelas fofas de olhos meigos, entregues às gargalhadas no gostoso vai e vem do balanço, que merecem (realmente) um mundo mais justo e alegre. Mas não é delas que vou falar. Prefiro não. Escolho falar daquela “criança” interior, silenciosa e silenciada pelos abusos aos quais nos submetemos (e nos submetem) diariamente na vida adulta.

Se para Nietzsche existe a necessidade de preservamos a criança em todos nós, enquanto espírito livre, para além do bem e do mal, que inocente e espontânea, encara a brincadeira com a mesma seriedade com a qual o adulto encara a vida (e olhe lá!), que permanece deslumbrada diante do novo e das pequenas coisas, que se mantém criativa e curiosa, inquieta e interessada diante de tudo que a cerca, torço para que todo o tipo de abuso infantil praticado por nós mesmos (e pelos outros) na “criança” interior que reside em nós, se desfaça de vez, seja no mês (comercial) das crianças ou em todos os dias.

Torço para que a vontade de mudança e renovação do mundo, semeada na criança, não seja sufocada pela voz autoritária do ‘adulto’ desgastado e descontente, que desiste de lutar diante das constantes derrotas da vida.

Torço para que os abusos do trabalho estressante com o qual muitos de nós nos submetemos, não sobrecarregue a criança criativa e engenhosa que silencia gradativamente em nosso interior.

Torço para que a ingenuidade e a leveza que a criança tem sobre o próprio corpo (e alma!), despido de preconceitos e rótulos, não se entregue à pressão social que nos bombardeia diariamente para sermos mais dos outros, e menos de nós mesmos.

Torço para que a criança adormecida (e esquecida) em nós, não pare de tentar, sonhar, acreditar, imaginar e desenhar o mundo com a mesma alegria e entusiasmo que aqueles seres sorridentes (sem nada a perder) correndo no parque, tem diante das infinitas possibilidades que se apresentam a cada novo dia (e descoberta).

Ally Collaço – meio criança, meio adulta. Sempre aprendiz! =)

Lounge da Autora: Ally Collaço

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Está chegando o Dia das Crianças. Apesar do sentido estritamente comercial da data, podemos quem sabe aproveitá-la para refletir sobre o que é ser criança nos dias de hoje e no que nós como adultos sendo pais ou não, estamos transformando nossas crianças. Embora o comércio ofereça brinquedos para todos os bolsos e gostos, é irônico concluir que as crianças não brincam mais no sentido do “brincar” como interação saudável e criativa. Não se brinca mais de roda, mãe da rua, pic-esconde, casinha; não se vê mais crianças jogando bolinhas de gude, soltando pião, brincando de iô-iô, de carrinho de rolimã. Por sinal, algumas dessas brincadeiras devem até ser desconhecidas para a maioria delas. Não mais se cria ou improvisa brinquedos com objetos simples que se tenha à mão, e o mais triste é saber que não podemos mais brincar nas ruas, que as crianças ficam confinadas a maior parte do tempo em apartamentos. O mundo está perigoso demais, individualista demais, competitivo demais, é melhor preparar nossas crianças o quanto antes, quanto mais depressa elas saírem da infância melhor. Interessante que ao contrário, a adolescência está se estendendo até a vida adulta, começa muito cedo e ninguém sabe quando termina.

Hoje o brinquedo mais cobiçado é um tablet ou celular, ou os dois. Que bom! É melhor deixá-las mesmo restritas à vida virtual. E dessa forma reforçamos nelas as características de individualismo e narcisismo da vida moderna, e cometemos grande engano ao pensar que assim estão seguras. Não faz muito tempo em que a televisão era chamada de “babá eletrônica” e hoje ela é o menor dos males. Não se trata aqui de ser contrário à tecnologia mas de pensar até onde o excesso poderá nos levar e se não é possível conciliar a vida virtual com a vida real. São as crianças que mais sofrem as conseqüências da miséria e dos conflitos no mundo todo.

O abandono, o abuso e a exploração, tanto o sexual quanto do trabalho infantil deixam marcas profundas, mas o abuso emocional que não deixa marcas físicas e é portanto ainda mais difícil de comprovar, é tão perverso quanto e deixará efeitos psíquicos para o resto da vida. É bem mais fácil cometer todo tipo de violência contra uma criança porque elas são naturalmente mais vulneráveis, mais fracas, ainda não possuem discernimento suficiente, o que confere ao ato um caráter ainda mais terrível. No Brasil há uma grande distância entre o que diz a lei e a realidade. Ao ler o Estatuto da Criança já notamos que nem mesmo seus direitos básicos como saúde, alimentação, escola, moradia, são garantidos. Muitas vezes as crianças não encontram proteção nem mesmo na Justiça que às devolve para seus algozes até serem mortas.

Hoje deixamos a educação de nossas crianças à cargo da escola, mas há coisas que não se aprende na escola como o respeito às diferenças, o respeito à vida, as noções de cidadania. Na verdade nem adianta a escola tentar ensinar quando o que ela vê em seu ambiente de convivência é outra coisa. A falta de tempo é uma desculpa esfarrapada, já que sabemos que o que conta não é a quantidade mas a qualidade do tempo que ficamos com elas. Outro fenômeno mais recente que vem sendo observado é a quantidade de crianças que estão sofrendo de ansiedade. Estamos ficando ansiosos cada vez mais cedo. É o caso de se perguntar o porquê, mas não ser difícil imaginar o motivo. Não há mais tempo para ser criança, precisamos aprender a competir cada vez mais cedo. Estamos também indo cada vez mais cedo para os consultórios de terapia. Qualquer coisa é motivo para que crianças, segundo consta por pressão dos próprios pais, sejam diagnosticadas com o TDAH Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, e medicalizadas, sendo que o transtorno atingiria somente 3% dos casos, segundo dados oficiais das entidades médicas. Não temos mais tempo nem paciência para esperar as crianças crescerem e o resultado é uma adolescência cada vez mais precoce e mais longa.

Há ainda algo muito importante, talvez crucial na formação de uma criança que é ensinar a pensar. O destino da humanidade está nas mãos delas e depende em grande parte da boa ou má formação que tiveram, podem ser transformadas em grandes seres humanos ou em grandes monstros.

A infância tem as suas maneiras próprias de ver, pensar e sentir. Nada mais insensato que pretender substituí-las pelas nossas. (Voltaire)

Eli Boscatto – Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta..

Lounge da Autora: Por trás do espelho

 

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O ROSTO DA MÃE NO INÍCIO DA VIDA

mae bebêNo início da vida, vem do “rosto da mãe” (Winnicott) as primeiras mensagens sobre o que somos, sobre o lugar que ocupamos no desejo do outro. É através dos sinais emitidos pelo rosto da mãe que começamos a saber da nossa própria existência. Quando não há desejo, vitalidade no olhar da mãe, o bebê não se espelha; encontra apenas o “não desejo” por sua própria existência. A formação do Eu Sou tem início no amor do outro: instala-se no bebê uma imagem de si humanizada, fundamento das futuras buscas por si mesmo e pelo outro.

Evelin Pestana

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O Cuidar em crianças pequenas

peraltagensMães que respondem de forma sensível e reconfortante às solicitações do bebê terão filhos que continuam a procurá-las quando estão aflitos e que se acalmarão pelo contato com elas.

 

 

O modelo interno de funcionamento do bebê o levará a ver os outros como confiáveis e bondosos, e a si mesmo como merecedor desse tipo de atenção.

Em contraste, se o cuidador não está disponível, ou está disponível de forma errática, ou é insensível ou rejeitador quando o bebê solicita contato, o bebê aprende a não procurar o contato quando está perturbado ou a procurar o contato apenas de forma ambivalente, uma vez que solicitações muito intensas poderiam afastar um cuidador que já não é confiável. O modelo interno de funcionamento desse bebê o levará a ver os outros como indignos de confiança e potencialmente rejeitadores, e a si mesmo como indigno de cuidado sensível e confiável.

– Dr. Byron Egeland em “Programas de intervenção e prevenção para crianças pequenas baseados no apego”.

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Escolaridade e desenvolvimento

O que nos diz uma nota baixa? Tem significados diversos, por exemplo: sinal de incompetência, estar fora de um perfil de conhecimento, falta de disciplina, preguiça, dificuldades pessoais para aprender, dificuldades nas relações e que prejudicam o aprendizado, problemas de ordem neurológica, falta de acompanhamento, etc.

Isso na superfície, muitas vezes, é o que o adulto acessa em relação à criança.
Mas e para a criança, já se perguntaram o que significa?

O sentido atribuído pela criança vem de outra forma de olhar, de conceber suas experiências e de compreender o universo do adulto. Uma nota, alta ou baixa, pode dizer muita coisa e pode não dizer nada, porque a singularidade daquela criança tentando apreender o mundo e aprender na vida é imensamente mais complexa.

 

Fonte: Extraído da página do face. notas baixas

Psique e vida – Nara Thaís G.Oliveira

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