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Amor e posse.

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“O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.”

(FERNANDO PESSOA)

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As forças da vida

” O espírito do homem é como um rio que procura o mar. Represem-no e aumentarão a sua força. Não responsabilizem o homem pelas suas explosões devastadoras! Condenem antes a força da vida!”

Henry Miller, in “O Mundo do Sexo”

 

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Intimidades inacessíveis

“…Uma invisível empresa de segurança impede o Outro de entrar nesse espaço que chamamos de intimidade.”

(Mia Couto)

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Compreendendo a Depressão.

Pensando nas estrelas…

                                                                               “Pensando nas estrelas noite após noite começo a perceber que “As estrelas são palavras” 

 e todos os incontáveis mundos da via Láctea são palavras, e esse mundo também o é. E percebo que não importa onde eu esteja, seja em um quartinho repleto de ideias ou nesse universo infinito de estrelas e montanhas, tudo está na minha mente. Não há necessidade de solidão. Por isso, ame a vida pelo que ela é e não forme ideias preconcebidas de espécie alguma em sua mente”.

Jack Kerouac, Cenas de Nova York e outras viagens, conto “Sozinho no topo da montanha”, tradução de Eduardo Bueno, L&PM Pockets, p. 40.

 

 

Ser Professor e a construção do diálogo

Por Marcos E. F. Marinho

As coisas do mundo a ser conhecido não são de posse exclusiva de um dos sujeitos que fazem o conhecimento, de uma das pessoas envolvidas no diálogo, que concede o conhecimento aos alunos, num gesto de caridade ou benevolência.

No diálogo, é fundamental que se quebre o processo domesticador e amestrador de algumas práticas educativas.

Para Paulo Freire, isso somente será possível se enxergarmos o diálogo, enquanto relação Eu-Tu, relação de dois sujeitos, pois, quando o Tu é tratado como objeto, haveria uma perversão do diálogo e já não se estaria educando, mas deformando, assim, para Freire, aquele que se nega ao diálogo na educação, não comunica, apenas faz comunicados.

[…]

Portanto, para Freire, numa ação dialógica, o educador, ao falar do mundo e ver este mundo de que ele falou se voltando problematizado, discutido, questionado pelos seus educandos, afirmaria um processo em que os educandos tornam-se sujeitos por meio de uma prática educativa dialógica. Isto só é possível num processo educativo que se baseie no diálogo.

Relações afetivas e sexualidade jovem

Por Marcos Eduardo F. Marinho

Escolher por quais caminhos seguir e que decisões tomar é difícil em qualquer fase da vida. Durante a juventude, tomar decisões e fazer escolhas são grandes tormentos, que geram dúvidas e conflitos. Quando o assunto é a sexualidade, as dúvidas parecem ser ainda maiores. O comportamento do jovem mudou nos últimos anos. A sexualidade, muito explorada pela mídia, é banalizada, assim como os relacionamentos afetivos.

A aparente liberdade – a sensação de que tudo é permitido – gera conflitos, principalmente entre os que estão vivendo um momento de transição entre a adolescência e a vida adulta. Muitas vezes se estabelece uma forte tensão entre seguir os valores familiares ou assumir o comportamento adotado pelo grupo.

         Quando o caminho escolhido é o de se inserirem a qualquer custo em um grupo, os jovens adotam comportamentos rebeldes para serem aceitos – passam a consumir de forma abusiva bebidas alcoólicas e drogas e assumem comportamentos sexuais de risco. Esses comportamentos trazem resultados muitas vezes não imaginados, com consequências duradouras, como os casos de gravidez não planejada ou doenças sexualmente transmissíveis. 

Os jovens estão iniciando a vida sexual mais cedo e a sexualidade tem sido discutida de forma mais “aberta” entre as pessoas e nos meios de comunicação. Não há ausência de informação, mas uma grande dificuldade de reflexão sobre o tema. Este aparente ambiente de liberalidade nas formas de viver a sexualidade ainda esconde mecanismos de repressão velada e preconceituosa sobre o assunto.

        Isso fica evidente nos debates sobre as relações homossexuais, nos ambientes domésticos e familiares e em instituições como a escola e as igrejas. O mesmo pode ser refletido sobre a exploração da imagem feminina, ainda vista como objeto de consumo ou mesmo pressões de grupo sobre a questão da virgindade feminina, hoje tida como um problema para muitas jovens, levando-as a iniciar a vida sexual de forma precipitada.

                Quando observamos os relacionamentos amorosos, o cenário não é menos complexo. Desde a década de 1980 utiliza-se a expressão “ficar”, uma nova forma de se relacionar em que as pessoas mantêm contatos sexuais e/ou afetivos durante um curto tempo, sem que isso signifique assumir um compromisso afetivo duradouro. Aparentemente, esta forma de relacionamento sugere maior liberdade, mas está repleta de regras que variam conforme o grupo social a que pertencem e ao momento histórico.

               De todo modo, o “ficar” pode ser visto como maior possibilidade de experimentação, de conhecimento sobre si e sobre o outro – o funcionamento do próprio corpo, sensações prazerosas e de toque com o outro – sem a obrigação do compromisso, do vínculo afetivo. O seu reverso é o “ficar com” banalizar as relações, levando os jovens a ver o outro como coisa ou objeto – o que, não raro, leva a frustrações e ressentimentos.

 E, ao banalizar as trocas afetivas, os jovens reproduzem a dinâmica presente no consumo, ou seja, a ordem é manter a relação enquanto ela trouxer satisfação e substituí-la por outra, se esta prometer ainda mais satisfação. Relações amorosas desse tipo, com a possibilidade de término a qualquer momento, geram ansiedade permanente.

Nota-se, a partir dos anos 1990,  a tentativa de restauração de modelos tradicionais e familiares, a adoção de alianças e anéis de compromisso e casamentos religiosos em alguns grupos juvenis; e, em grupos minoritários de ascendência religiosa, a valorização da virgindade e da castidade antes do casamento como modelos de pureza de sentimentos e aceitação da tradição. Situam-se como reação às mudanças e à fragilidade das relações e trocas afetivas e visam resgatar aspectos perdidos dos relacionamentos amorosos das gerações passadas.

De todo modo, a família, a escola e os educadores podem contribuir na reflexão sobre essas questões promovendo o debate sobre elas, dando voz e mediando as reflexões dos jovens, de forma respeitosa, oferecendo elementos para que os jovens possam, independentemente do formato, construir relações substantivas, ricas em significado, em realização amorosa e sexual, com responsabilidade sobre si e o outro.

A psicoterapia também se coloca como importante elemento de reflexão do jovem e de auxilio na constituição de sua identidade adulta nessa etapa da vida, possibilitando um processo de autoconhecimento, de escuta analítica e de ressignificação das suas relações.

Relações afetivas

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Assumir as próprias escolhas

Por Marcos Eduardo Ferreira Marinho

As pessoas são muito diferentes entre si, e diferentes são as escolhas que fazem sobre a vida que querem ou não levar. Ao contrário do ditado popular nem sempre querer é poder, mas podemos com planejamento, coragem e ousadia dar passos largos rumo aos nossos maiores desejos e objetivos.No entanto em muitos momentos quando estamos diante de uma situação de escolha, ficamos ansiosos, angustiados e não raro com muito temor e medo.

Mas porque?

Escolher torna-se uma situação altamente estressante para as pessoas por saberem intuitivamente que ao escolher uma coisa estará abrindo mão de outras, ou seja, na hora de escolher perceberemos primeiro o que iremos perder ou deixar, e isto causa medo.

Quando a escolha envolve mudanças concretas na vida (mudança de emprego, de cidade, casamento etc) necessariamente envolverá daquele que escolhe uma profunda reflexão, pesar todos os prós e contras que consiga levantar e avaliar se a escolha que se propõe a fazer trará mais ou menos satisfação e felicidade.

O problema é que muitas vezes temos pouco tempo e pouco conhecimento sobre as variáveis envolvidas na nossa escolha, portanto precisamos de uma opinião ou um aconselhamento que seja isento e com um distanciamento para analisar todos os lados da escolha.

É nestas situações que a figura do psicólogo pode ser um importante aliado, através de um trabalho de aconselhamento e orientação que dará todas as ferramentas e um panorama de tudo o que está envolvido na escolha. E caminhando ao lado da pessoa para efetuar uma escolha madura e coerente com os anseios daquele que escolhe, atenuando as angustias e ansiedades decorrentes.

*Marcos E. F. Marinho é Psicólogo, atua desde 1994 com famílias, crianças e adolescentes em projetos sociais e governamentais. Foi Psicólogo Cooperante Internacional nos anos 90. Ocupou cargos gerenciais e de assessoria técnica e pedagógica para instituições públicas e privadas. Com Mestrado em Psicologia pela PUC/SP atende em consultório privado e assessora organizações públicas e privadas.

Como o jovem é visto pelo mercado

Por Marcos E. F. Marinho

Desde os primórdios da economia de mercado, em fins do século XVIII, a aquisição de determinados produtos e mercadorias serviu para definir a origem social, cultural e econômica do consumidor. Esta dinâmica acentuou-se sobremaneira quando a economia de mercado se consolidou e incorporou o consumo massificado e em escala, a partir da década de 1950.

      Em poucas palavras, mais do que atender às necessidades materiais das famílias e dos indivíduos, rapidamente se passou também a vender produtos e mercadorias que dessem ao comprador certa distinção cultural ou de classe. Foi assim que marcas famosas adotaram, em sua comunicação com o mercado consumidor, a estratégia de se associarem a uma ideia, mais até do que a um produto.

De certo modo, o mercado consumidor é visto de forma fatiada, se assim podemos dizer. Há produtos, por exemplo, para mulheres, jovens negras, da classe C, e desse modo as propagandas se incubem de produzir todo um universo imaginário, que inclui comportamentos e estilo pessoal predeterminado para este público especial. Portanto, ao adquirir este produto, o individuo se filia a este modelo.

Temos então uma dinâmica em que se produzem desejos e a forma que se consome torna-se um importante marcador de identidade nos indivíduos. Ao falarmos dos jovens, ao adquirirem determinadas mercadorias por meio da compra, isto já serve para definir “quem ele é” em seu meio social.

É inegável a influência da publicidade e da moda como potentes ferramentas de sedução e fruição de desejos, indo ao encontro das aspirações individuais de ascensão social via aquisição de mercadorias.

Não são raros os momentos em que nos deparamos com a compra de produtos de que não precisamos, ou com cujos custos não poderemos arcar. Isto é visível no ciclo de endividamento das famílias para aquisição de automóveis, eletrodomésticos e imóveis que carregam em si a marca do sucesso profissional e social.

A marca de sucesso é frequentemente expressa pelas roupas que se usa; por seu automóvel; pela decoração da casa; pelos restaurantes que frequenta; pelas viagens que faz etc. Estes bens e produtos trariam a promessa de se sentir admirado e aceito, o que possibilitaria então uma sensação de bem-estar e possivelmente daria ao portador equilíbrio emocional. Não é pouca coisa!

No entanto, o custo de tudo isso se torna elevado; a corrida para o sucesso via consumo e seus símbolos resulta em diversos distúrbios psicológicos: estresse físico e mental, insônia e dores musculares crônicas, sintomas hipocondríacos, transtornos da imagem corporal e síndromes de dependência química, desânimo, depressões, síndromes de pânico e fobias sociais que se manifestam em estatísticas variadas.

                As perspectivas oferecidas ao jovem em uma sociedade de mercado perpetuam um modo de vida que estreita os horizontes em uma única direção: a busca do sucesso econômico, o próprio prazer e a indiferença em relação ao mundo e aos outros.