sofrimento psíquico

A Narrativa sobre nossa própria vida.

Sapatos.VangGoghNossa existência pessoal não é um amontoado desorganizado de fatos, seu sentido se mostra nas histórias que contamos para nós mesmos e para os outros. O estabelecimento de uma costura, feito um alinhavo de linhos, permite compreender as possibilidades que se abrem para as transformações, tecendo, enxergamos nossas potencialidades.

Segundo Dulce Critelli, o padrão existencial se apoia em frases que as pessoas ouvem de outras ou que, acriticamente, dizem para si mesmas. Ela chama essas frases de “relatos”. São afirmações curtas e fragmentadas, muitas vezes aprendidas na infância, e repetidas ao longo da vida. Perpetuando-se pela repetição, perpetuam também, como se fosse fatalidade, um determinado modo de ser.

Não raro, as pessoas veem-se enredadas, presas a emaranhados de crenças e relatos fatalistas, estabelecendo, padrões que elas mesmos criaram e perpetuaram ao longo dos anos. Quando trazem tais “relatos” por exemplo, por meio da psicoterapia, submetendo-os ao crivo da reflexão, começam a se libertar desse padrão de estagnação, e assim, suas vidas podem retomar a caminhada, de modo mais fluído e coerente com novas possibilidades existenciais.

Na análise, trata-se de substituir os relatos acríticos e fragmentários que povoam a linguagem vulgar por uma historia pessoal construída a partir da reflexão própria do sujeito.

imagesÉ esperado que, ao se apoderar dessa história, da sua história, o indivíduo ao mesmo tempo, compreenda os sentidos de seu ser, se empodere, saindo da condição de vítima passiva de uma imaginária fatalidade para se tornar autor, apropriando-se de sua história e das possibilidades que se abrem..

Marcos E. F. Marinho

Ecstasy e seus efeitos no organismo

Esconder-se no porão

Esconder-se no porão, de vez em quando, é necessidade vital. Precisamos de silêncio e solidão, e, não, apenas os poetas. Senão, corremos o perigo de nos esvairmos em som, fúria e esterilidade. O campo para que a palavra se instale para o autor e para o leitor é o campo do silêncio e da audição.”

– Adélia Prado.

http://www.elfikurten.com.br/2011/02/adelia-prado-o-poder-humanizador-da.htmljovem vulnerável

Paisagens da alma

“Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem,são os que são absurdos – a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos…”

Fernando Pessoa no Livro do Desassossego

O filho encontrado

Capacidade de reparação e resiliência oferecem sustentação à trama do filme Philomena, sobre a jornada de uma mãe, já idosa, em busca da criança que lhe foi tirada

Por Gláucia Leal

_D3S1363.NEFÉ quase  inevitável: em maior ou menor grau, adoecemos de nosso próprio passado. Restos de mágoas e ressentimentos alojam-se em nosso psiquismo como se fossem parasitas; raivas nem sempre reconhecidas transformam-se em espécies de tumores que lenta e insidiosamente minam a alegria e a possibilidade criativa. Culpas e arrependimentos desdobram-se em sintomas inusitados.

Às vezes, para fugir do que pode doer caso surja diante dos olhos, nos impomos a penumbra e nos refugiamos nos pequenos (e grandes) rituais de repetição até que o sintoma não dê mais conta do conflito que expressa.  Ao final, não importa o que façamos, sempre dói. Quando nos damos conta de que não adianta enganar o sofrimento, torna-se mais plausível rever a própria história na tentativa de fazer as pazes com aquilo que se foi – mas ainda permanece.

O filme Philomena, dirigido pelo inglês Stephen Frears, aborda essa preciosa capacidade de rever as próprias perdas sem se prender a elas de forma inexorável. Para fazer essa transição é fundamental acessar, em algum nível, um recurso subjetivo que vem atraindo a atenção de psicólogos e psicanalistas: a resiliência. O termo, “emprestado” às ciências humanas pela física, refere-se à habilidade de refazer-se de golpes emocionais sem negar a frustração ou o luto e, ainda assim, seguir em frente.

Atendendo em Sorocaba

A partir do dia 01 de Novembro,

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Quando os pensamentos negativos se tornam depressão?

Pesquisa indica que suprimir pensamentos negativos pode ajudar milhões de pessoas a não desenvolverem depressão. Segundo o estudo, é essencial a identificação desse processo de pensamento antes que ele se consolide.

Jaclene Zauszniewski, da Case Western Reserve University, desenvolveu um questionário de oito itens, denominado “Depression Cognition Scale (DCS)”; Tal questionário demanda aos indivíduos que respondam questões sobre incapacidade, desespero, falta de esperança, falta de propósito, desvalorização, impotência, solidão, vacuidade e falta de significado, usando uma escala que varia de “concordo plenamente” até “discordo plenamente.

O objetivo do estudo era determinar o exato momento onde o pensamento negativo passa a estabelecer um padrão com a crise de depressão clínica, mesmo sem nenhuma expressão emocional ou sintoma físico associado à mesma.

Os autores buscaram primeiramente um score no questionário que apontasse o momento onde os sujeitos deveriam suprimir o pensamento negativo como prevenção a depressão; Os mesmos então concluíram que um score de sete no DCS, associado a fatores individuais e ambientais, demonstraria tal momento, sendo que os indivíduos deveriam iniciar estratégias para a troca de pensamentos negativos por positivos.

Participaram no estudo 629 adultos, que responderam previamente questões através da Internet; A faixa etária dos participantes variava de 21 a 84 anos, sendo que setenta por cento dos mesmos era do sexo feminino, sendo sua maioria com formação superior e com renda anual acima de quarenta mil dólares.

Fonte: Psych Central

Sombra do meio-dia. A depressão.

Dor ou alegria, sol ou nuvens, para a depressão tanto faz. Quando ela decide atacar, a única defesa é atacar antes, diz autor de best-seller

Mônica Manir – O Estado de S. Paulo

Quando Andrew Solomon escreveu O Demônio do Meio-Dia, mergulhou fundo nas imagens. Só assim, quem sabe, alguém que nunca viu a cara da depressão poderia entender essa dor. Uma das imagens era a da trepadeira que tomou conta de um carvalho centenário. “Só bem de perto se podia ver como haviam sobrado poucos ramos vivos, e quão poucos e desesperados gravetos brotavam do carvalho, espetando-se como uma fileira de polegares do tronco maciço.”

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O carvalho centenário era o carvalho da sua infância, e a trepadeira de fato o sugou. A depressão Solomon a viveu na alma, num estágio severo, depois de a mãe morrer num suicídio assistido, após longo tratamento de câncer. “No final, eu estava compactado e fetal, esvaziado por essa coisa que me esmagava sem me abraçar.” Esse americano-britânico, a um mês dos 50 anos, tinha 31 na época. Levou mais cinco anos para compor uma anatomia da doença que em 2001 ganhou o National Book Award e em 2002 foi finalista do Pulitzer.

Se O Demônio do Meio-Dia, lançado no Brasil pela Objetiva, emerge aqui nessa semana, é por causa do Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio. Na terça-feira foi lembrada a taxa mundial de suicídio divulgada pela OMS: entre 10 e 30 por 100 mil habitantes. O Datasus soltou o número de 9.852 brasileiros que se mataram em 2011. Considerando-se a subnotificação, presume ser maior. No geral, com o que corroboram vários estudos, cerca de 90% dos suicídios estão associados a estados depressivos.

“Depressão e suicídio são entidades separadas que com frequência coexistem, influenciando-se mutuamente”, afirma Solomon. Por falta de uma, ele propõe políticas públicas para as duas, com formação de profissionais de saúde e ferramentas na medida para distúrbios ainda sub ou sobretratados.

Nesta entrevista, feita a partir de Cleveland, Ohio, o escritor menciona o novo livro, Longe da Árvore, que será lançado em outubro pela Companhia das Letras. São mil páginas sobre o universo de famílias cujos filhos são marcados pela excepcionalidade. Seu foco na nossa conversa, porém, é o tratamento daquilo com que Solomon precisa conviver eternamente, à espreita de que a trepadeira queira subir novamente pelos seus pés: “Toda manhã e toda noite, olho para as pílulas na minha mão: branca, rosa, vermelha, turquesa. Às vezes parecem uma escrita, hieróglifos dizendo que o futuro pode ser muito bom, e que devo a mim viver para vê-lo”.

O senhor costuma dizer que a depressão ceifa mais anos do que a guerra, o câncer e a aids juntos. Em suas palavras, ela pode ser “a maior assassina da Terra”. Como explicar a escala do problema?

A variação do estado de ânimo é uma vantagem da evolução da espécie. Sem a capacidade de ser triste, por exemplo, não teríamos o amor como o conhecemos, já que ele contém necessariamente a sensação da perda antecipada, que aumenta nosso apego à pessoa. A depressão é uma disfunção desse espectro. No entanto, como é contígua à tristeza e à ansiedade, é difícil regulá-la. Ainda assim, provavelmente temos mais casos de depressão nestes tempos modernos do que tivemos ao longo da história. São tempos eletrônicos, superconectados e superpovoados, que nos impõem tensões não vividas no passado. Com novos discernimentos, diagnosticamos a doença com mais frequência. E porque temos um tratamento mais eficaz, há um incentivo para que as pessoas se identifiquem com essa condição. Contudo, apesar dessas ferramentas clínicas (drogas, psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, terapia eletroconvulsiva, etc), a maioria das pessoas com depressão não recebe tratamento, o que é um desastre para a saúde pública.

Por que não recebem tratamento?

A depressão é, em geral, resultado de uma vulnerabilidade genética desencadeada por circunstâncias externas. Podemos supor que a vulnerabilidade atinja todas as classes sociais – e, em seguida, perceber que a experiência dos pobres é mais estressante e, portanto, deve levar a uma maior taxa de depressão. A questão é que pessoas com uma vida confortável que se sentem arrasadas o tempo todo tendem a perceber a estranheza desse sentimento e procuram tratamento. Já os pobres acham que o que sentem é compatível com suas vidas, e não lhes ocorre que estejam deprimidos. Muitas vezes, nem estão deprimidos por causa de problemas externos, mas a depressão os desvitaliza de tal forma que os impede de melhorar de vida.

Não externar fragilidades também pode dificultar o diagnóstico? Vivemos em uma sociedade que não suporta lamúrias?

Não acho que o lamento tenha alguma vez sido popular. Como um amigo meu disse certa vez, “autopiedade não dá bilheteria”. Mas acho que devemos fazer uma distinção entre choramingar num encontro social e identificar a depressão num quadro clínico. Depressão é uma experiência de dor intensa, por vezes tão intensa que a única opção parece ser o suicídio. Buscar tratamento para essa dor é a coisa sensata a fazer. Manter-se em silêncio não traz benefício a ninguém.

A vida virtual e a fragilidade nas relações sociais e familiares podem aumentar o sentimento de vazio existencial?

Sem dúvida. Seres humanos precisam interagir com outros seres humanos; quando interagem principalmente com uma tela de computador ou com um aparelho de televisão, tornam-se alienados e descontentes. A depressão é uma doença da solidão, e aqueles com relações familiares frágeis partem de um lugar ainda mais solitário. Muitas vezes, as pessoas que estão deprimidas acham a interação humana estressante, e se isolam. É importante lembrar que exigir reação de uma pessoa muito deprimida pode exacerbar a doença. Mas fazê-la perceber quão realmente é amada é essencial na sua recuperação.

Há muito charlatanismo nos tratamentos?

Há um charlatanismo sem fim. Mas, às vezes, o charlatanismo funciona. Se você tem câncer no cérebro e alguém disser que ficará melhor se plantar bananeira por 20 minutos toda manhã, você continuará com o câncer no cérebro e provavelmente morrerá com ele. Mas se você tem depressão, alguém disser o mesmo e você se sentir melhor com essa prática, então de fato está melhor naquele momento: afinal, a depressão é uma doença do sentir. Fazendo essa ressalva, acho perigoso perseguir tratamentos alternativos e adiar os comprovados, porque, quanto mais tempo procrastinar o tratamento da depressão, pior ela vai ficar. E tudo que se quer é dar a volta por cima quanto antes. Há pessoas que tomam medicamentos de que não precisam, e há pessoas que não recebem a medicação necessária. Estou mais preocupado com os da segunda categoria, mas ambos são problemas.

O gatilho para a depressão é necessariamente negativo?

O gatilho é geralmente uma forma de estresse, e eventos positivos podem ser tão estressantes quanto os negativos. Uma interrupção de estabilidade, uma ruptura do status quo, tudo isso pode levar à depressão. Algumas pessoas ficam deprimidas quando mudam de emprego, mesmo que quisessem fazê-lo. O mesmo acontece quando algumas se casam ou têm filhos.

Como lidar com a possibilidade de um novo colapso?

A depressão é uma doença cíclica, e a maioria das pessoas que teve um episódio terá outro. A primeira coisa é saber disso e estar preparado. A segunda é certificar-se de que você tem um bom tratamento. Eu, por exemplo, tomarei medicação e farei terapia o resto da vida. Mas, além disso, conheço os sinais de alerta e tento ser sensível a eles. Quando começo a me sentir mal, volto a ser rigoroso com meus horários de sono, com os exercícios, com tensões desnecessárias. É importante planejar essas estratégias enquanto você está se sentindo bem, caso a depressão volte a bater à porta. Às vezes, com terapia e medicação, é possível evitar uma recaída, mas muitas vezes não é. Quase sempre é possível, no entanto, que as recaídas sejam menos frequentes e profundas.

A depressão varia de cultura para cultura?

Na essência, é a mesma. Eu me propus a quebrar a ideia de depressão como uma doença da modernidade ocidental e de classe média, demonstrando que existe ao longo do tempo (Hipócrates fez uma das melhores descrições do distúrbio); que existe em todas as culturas (fui olhar a depressão entre os inuits da Groenlândia, entre os sobreviventes do Khmer Vermelho no Camboja e examinar rituais tribais para tratar a doença na África Ocidental); e em todas as classes. A ansiedade aguda pode ter um foco diferente, por exemplo. Mas sua característica fundamental é surpreendentemente consistente.

No ano 2000, 815 mil pessoas tiraram a própria vida. No Brasil, tivemos um aumento de 30% na mortalidade por suicídio entre os mais jovens, homens especialmente, nas últimas duas décadas. Mas pouco se trata do tema. O tabu em torno do suicídio pode comprometer o diagnóstico da depressão, considerada uma de suas principais causas?

É verdade: quase todo suicídio é resultado da depressão. Algumas pessoas cometem suicídios racionais porque têm, por exemplo, uma doença terminal avançada e não querem morrer sentindo uma dor insuportável. Mas, em geral, o suicídio é o ponto final de uma depressão não tratada. A natureza epidêmica do suicídio é resultado da nossa falta de cuidado com a saúde mental, a visão corrente de que as doenças mentais não são doenças reais. Elas são doenças reais, e elas matam pessoas. Prevenção é um imperativo urgente para os governos e agências de serviços sociais. As pessoas podem ser resgatadas da beira do precipício.

A depressão cresce entre as crianças?

Sim, em parte pelas razões pelas quais está aumentando em toda a sociedade, mas também porque as crianças estão sob mais pressão, são mais superestimuladas, mais levadas a se movimentar de um lugar para o outro e de escola para escola. Isso acontece porque os pais estão ambos trabalhando fora, e as crianças têm ficado com uma variedade de cuidadores que as amam menos que os pais. Isso acontece por causa do colapso da família.

No seu último livro, Longe da Árvore, o senhor conta histórias de pais que não apenas aprendem a lidar com seus filhos deficientes como acham um significado profundo em fazer isso. Por que escolher esse tema?

Eu sou o filho gay de pais heterossexuais, e sempre me impressionei com quão difícil era para a minha família me entender. Se compartilhássemos a mesma qualidade definidora de identidade, talvez fosse mais fácil. Tempos depois, numa missão jornalística, descobri que a maioria das crianças surdas nasce de pais que ouvem, e que elas se aproximam entre si na adolescência. Em seguida, um amigo de um amigo teve uma filha anã, e percebi que a maioria dos anões nasce de pais de estatura padrão. Enfim, constatei um padrão de pais que têm filhos profundamente diferentes deles, e vi que todas essas crianças tinham algo em comum, assim como essas famílias tinham semelhanças entre elas. Quando se conhece a experiência de negociação entre pais e filhos tão diferentes, de repente se está falando da maioria da humanidade. Nossas diferenças nos unem. Eu queria escrever um livro não sobre o sofrimento, mas sobre o amor – sobre quantos tipos de amor podem prosperar mesmo quando as circunstâncias parecem se armar contra eles.

Sintomas de Depressão Podem se Manifestar Diferentemente em Homens

Homens podem sofrer de depressão quase tão freqüentemente quanto as mulheres, de acordo com um novo estudo da Universidade de Michigan. Tradicionalmente, as mulheres foram diagnosticadas com depressão com mais ou menos o dobro da taxa dos homens, cerca de 20% das mulheres tornando-se deprimidas em algum momento de sua vida.

Nos últimos anos, no entanto, alguns pesquisadores tem se questionado se talvez eles não tem feito aos homens as perguntas certas.

Por exemplo, enquanto as mulheres podem mostrar a sua depressão através de sintomas como choro ou insônia, a depressão masculina pode mostrar-se como a raiva, agressão, abuso de substâncias ou a exposição a riscos, tais como jogos de azar ou flertes, disse a principal autora Lisa Martin, Ph.D., professora assistente na Universidade de Michigan.

Quando estes tipos de sintomas foram levados em conta na pesquisa, os especialistas descobriram que cerca de 30% dos homens e mulheres haviam estado deprimidos em algum momento de suas vidas, de acordo com o estudo publicado no JAMA Psychiatry.

O estudo envolveu 3.310 mulheres e 2.382 homens e é o primeiro a olhar para as diferenças de gênero nas taxas de depressão em uma grande amostra nacional, disse Martin.

No entanto, nem todos os especialistas aceitam que a depressão se manifesta de forma diferente em homens e mulheres, disse Peter Kramer, MD, professor clínico na Universidade de Brown, não envolvido no novo estudo. Ele acrescentou que a noção de diferenças de gênero em sintomas de depressão ainda é uma ideia nova.

Kramer observou que as taxas de transtorno bipolar – em que as pessoas podem alternar entre depressão e mania – são semelhantes entre homens e mulheres. Mas as taxas de muitas outras condições variam de acordo com o sexo.

Por exemplo, autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade são muito mais comuns entre os homens, enquanto que os transtornos alimentares são mais comuns entre as mulheres.

No entanto, Martin acredita que a mudança dos critérios para o diagnóstico de depressão pode levar a mais homens a procurarem ajuda.

“Se conseguirmos fazer com que os homens que sofrem de depressão a reconheçam em si mesmos e comecem o tratamento, será muito significativo”, disse Martin.

Homens deprimidos são tipicamente muito menos propensos a procurarem tratamento, disse Martin, em parte porque alguns homens veem o pedido de ajuda como um sinal de fraqueza.

Ela acrescentou que os médicos lhe dizem que os homens não são tão propensos a procurarem ajuda por eles mesmos. Pelo contrário, os médicos dizem que os homens entram em seus escritórios só porque “tem recebidos ultimatos de suas esposas ou seus empregadores”, que ameaçam com divórcio ou demissão, a menos que mudem seu comportamento.

 

Texto de TRACI PEDERSEN, Editora Associada de Notícias

Revisado por John M. Grohol, Psy.D., em 31 de Agosto de 2013

Fonte: PsychCentral

Faça Psicoterapia

Perdas irreparáveis e o Luto. O papel do Psicólogo.

Por Marcos E. F. Marinho

A sensação que a maioria das pessoas sente de que a vida passa rápido demais, e mais, de que ela não é estável ou de águas calmas, é um aprendizado que a maturidade trás á todos, cedo ou tarde.

Como pano de fundo, a questão da consciência da própria finitude e daqueles que amamos, numa sociedade calcada na publicidade jovem, constitui-se num duplo desafio aos psicólogos que acolhem em seus consultórios pessoas em processo de luto.

A complexidade envolvida na experiência do luto se mostra muita acima das capacidades e recursos internos de muitos indivíduos, e nesses casos o trabalho do psicólogo, se mostra de vital valor àquele que sofre.

lutoO luto se apresenta de maneira distinta e variável para cada uma das pessoas, para alguns podem ocorrer por antecipação, como uma forma de organização interna em relação a uma perda eminente, para outros o luto tardio, quando o impacto é muito grande e não se pode ou não se consegue olhar para a perda no momento, e muitas vezes, a dor irreparável no momento mesmo da perda, o desespero, a dor como se algum de nossos membros fosse amputado,  e tantas outras expressões de sofrimento diante de uma perda de alguém significativo em nossa vida.

Nem sempre o luto se dá naquela famosa sequencia negação/raiva/negociação/depressão/aceitação, algumas pessoas não conseguem ultrapassar uma dessas fases e a aceitação parece estar num horizonte distante.

Como então o psicólogo pode ajudar uma pessoa em processo de elaboração do seu luto? Como pode o psicólogo, no desempenho de seu papel profissional,  colaborar para que, o tratamento, torne-se a ocasião para uma efetiva elaboração da perda, capaz de produzir na subjetividade da pessoa que sofre, ferramentas internas capazes de produzir um sentido emancipatório, de maturação do Eu e de fortalecimento para o enfrentamento de frustrações e dores que a experiência da vida nos trás?

Levando em conta, as singularidades, o primeiro passo se dá a partir de uma avaliação da condição do enlutado para que a partir daí possa ser criado um planejamento terapêutico específico, oferecendo suporte para que a pessoa possa dar conta das exigências do cotidiano tanto quanto possível. E então passar a cuidar do  essencial, o caminho da aceitação e dar sentido (existencial) a experiência da perda bem como da capacidade de seguir adiante.

A estratégia clínica sob a qual a psicoterapia (tanto individual, como de grupo ou familiar) se desenvolverá, em geral terá um objetivo que cabe para todas as situações de luto, o de elaboração do luto, a de favorecer a criação de suportes e alavancas para que a pessoa possa se adaptar à condição de viver sem aquele que se foi e estabelecer novos sentidos que possam ser compreendidos como uma reorganização de sua subjetividade e dos novas possibilidades de existir que se mostram a partir de então.

 

P.S.:

Sobre as fases do luto, consagradas em estudos de psicologia sobre o enlutamento.

(*negação – (A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real) ; raiva – (depois da negação. Vem um pensamento de “ porque comigo?” ); A negociação – O individuo começa a avaliar a hipótese da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade. As negociações com Deus, são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios); A depressão – A depressão surge quando o individuo toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Toma consciência que nunca mais irá ver aquela pessoa (ou coisa), e com o desaparecimento dele, vão com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor. Aceitação – Última fase do luto. Esta fase é quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muito da capacidade de constituir novos sentidos existenciais e novas possibilidades ).