Inquietude e pesar em compasso de espera

 

Por Irene Borges-Duarte |

Fonte: https://setemargens.com/inquietude-e-pesar-em-compasso-de-espera/

Estamos a viver um tempo estranho, em que, de repente, o nosso dia-a-dia deixou de ter a dimensão tranquilizadora, que é garantida pelo habitual cumprimento das tarefas de todos os dias e pelo encontro confiado com aqueles que enchem a nossa existência, no nosso habitual fazer pela vida. A habitualidade rompeu-se. Nada acontece da mesma maneira que antes. A fórmula de “trabalhar a partir de casa”, cuja prática procura ser generalizada, não constitui propriamente um hábito alternativo, e está longe de proporcionar a confiabilidade que, em geral, só o agir sedimentado assegura.39277_291886260926806_171987899_n

Este sentimento de estranheza não se dá do mesmo modo com toda a gente, mas acontece a toda a gente, no seio deste mundo que é o nosso: não só aqui, no nosso entorno mais próximo, mas também no mundo que nos chega pelos meios de comunicação e que, não por estar mais longe, nos é, agora, menos próximo. Tanto que nos entra pela quotidianidade dentro, trazendo-nos a presença sub-reptícia de um passageiro nefando e inesperado, em que somos obrigados a reparar.

Como disse, há pouco, a este propósito, José Gil: “Graças ao coronavírus, e pelas piores razões, o homem comum tem agora, ao longo do seu tempo quotidiano, a experiência da globalização existencial. Vivemos todos, simultaneamente, o mesmo tempo do mundo.” (Gil, 16/03/2020, O Medo, n-1 Edições).

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De repente, deixamos de ter uma vida que viver, para passar a ser reféns de um outro tempo, em que a morte dos outros se torna uma ameaça que pesa sobre todos, e uma mágoa que nos dói, como se fosse própria. Isolados, na ilha que é a nossa morada, ou talvez – o que é bem pior – no reduto onde nos confinaram, em vez da que de verdade é nossa casa, o mundo invade-nos virtualmente, sem que possamos sentir-nos vivendo dentro dele. Porque é disso que se trata: de ficar de fora do mundo real, sem deixar, porém, de o engolir em forma de notícia imparável do que continua a acontecer e persiste em pesar no nosso novo dia-a-dia. Uma frágil torre de marfim, feita de inquietude.

Continuum, staccato, carpe diem

Não é, decerto, o mesmo o que se passa com quem, pela sua profissão, se vê a braços com as consequências da epidemia e do seu tratamento. Nos hospitais, nas residências de anciãos, nas instâncias de assistência primária, em vez de se estar fora, está-se em pleno centro dos acontecimentos: no centro do mundo. Mas não é menos estranho o tempo vivido desse modo: essa voragem, que rouba esse outro dia-a-dia que era o de antes. Porque o stress de agora não é o stress de antes. A entrega temerosa de agora, na sua generosidade e na sua responsabilidade,  não é o compromisso do profissional, que sabe o que tem de fazer para cumprir a sua função habitual. Todo e cada um de aqueles que agora vivem momento a momento na vizinhança do vírus, sabe que é um ser humano em risco, em igual condição que o doente ao seu cuidado, e toda a sua vida se sente estar à beira do encontro com o mal. O quotidiano é outro: a palavra já não significa a mesma coisa, já não evoca um continuum, mas um staccato, em que em cada passo dado se escuta o carpe diem.

O tempo da campânula e o tempo da voragem distinguem-se, pois, mas têm em comum o peso da ameaça e da dor, que os une num mesmo intervalo de vida, vivida sob a forma de estar suspensa.É um compasso que ecoa no ar, que nos envolve e atravessa, e de que nos guardamos de respirar.

O sentimento da ameaça invisível paira, no ambiente fechado, como inquietude. A cautela ante o ataque insidioso infiltra-se, no local de trabalho, como medo. Ambas as formas de viver este tempo revelam a clausura, o estar encerrado numa atmosfera rarefeita e potencialmente nociva.

E, contudo, o planeta, alheio a esse perigo, respira e entra ele próprio numa outra pausa relativa, resiliente: a do deter-se do crescendo da poluição das indústrias e dos empreendimentos humanos de exploração, agora quase suspensos.

Mas não é só o tempo que se converte num uníssono denso e silencioso. É também o seu corpo vivo: um colectivo na condição de exposto e de solidário, necessitado de manifestar-se unido nessa mesma vulnerabilidade humana. O individual perde protagonismo no seio da ameaça global e a intimidade revela-se na sua porosidade relacional, aberta ao todo – e não apenas àqueles com quem se compartilha a vida, aos amados, aos amigos. Na ilha temporal, todos somos um. Em cada um que morre, somos nós que morremos. O colectivo deixa de ser abstracto. Torna-se um corpo orgânico, em que cada um se sente mais que mera parte do todo: o todo habita-o e dói como um ressoar interno, que não se esgota.

E, contudo, tudo isto passará e o tempo voltará a ser o de antes. Voltaremos a deixar-nos levar pelo largo da quotidianidade banal das nossas vidas, cheias de horas, minutos e segundos, de intervalos para refeições e para lazer, de ocupações profissionais que não nos arrancam as entranhas, nem fazem perigar os nossos próximos. O tempo voltará ao seu caudal conhecido, a vida aos seus gozos e rotinas. Inexoravelmente. Sim. Voltará o estender-se conhecido dos horários de trabalho, voltarão os momentos felizes e  descuidados do jogo, do descanso, do abraço e do amor.

Preconizar possibilidades de mudança

Nada teremos aprendido?

Na verdade, nada haveria a aprender, que não devesse já ter sido aprendido, com excepção do caso singular desta epidemia, deste vírus e das suas características específicas. Uma questão científica, portanto, a resolver por aqueles que têm a formação e a função adequadas à investigação do assunto e à determinação do modo eficaz de combate deste mal e da prevenção da sua expansão, bem como de outros futuros, com ele potencialmente relacionados. Ao fim e ao cabo, um problema técnico. Um desafio técnico à nossa sociedade do conhecimento e informação, politicamente organizada e culturalmente apetrechada para enfrentar situações de risco e mesmo de catástrofe. Um estímulo à descoberta de novos medicamentos, ou vacinas, cuja produção será assegurada pelas indústrias farmacêuticas mais importantes. É isso que ficará: o estimulante desafio à nossa capacidade de resposta. Isso e o pesar pela perda de tantas vidas, que se não pôde evitar.

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De nada nos terá servido, então, este doloroso episódio?

A história ensina-nos, porém, aquilo que a nossa experiência de vida não quereria aceitar: que situações como a que actualmente vivemos se repetem, em episódios mais ou menos longos, mais ou menos eficazmente enfrentados, sem que nada se altere dos projectos de mundo no meio dos quais irromperam. A elaboração do vivido fica, naqueles que foram capazes de a fazer, como algo que marcará para sempre as suas vidas. Mas na consciência colectiva, politicamente maleável, traduzir-se-á em mais uma vitória contra o inimigo insidioso, qualquer que tenha sido a sua origem e significado. O que foi um corpo uno, ao experimentar a situação limite, desmembra-se nos infinitos fragmentos individuais que constituem a sociedade, em que nos juntamos para cumprir fins parciais, ordenados pela utilidade comum e sequiosos de imagens gratificantes. A unidade do sentimento, que nos uniu, desfazer-se-á, e o coração voltará a ser só uma bomba do sangue que alimenta as células.

Tudo voltará a ser como já estava lançado a ser.

Filósofos e críticos da sociedade e dos seus sistemas de desenvolvimento têm, porém, por obrigação dizê-lo, seja preconizando possibilidades de mudança, seja desenhando possíveis rumos que esta possa ou deva tomar, seja denunciando os interesses criados, que a impedem. Com esperança de que as suas palavras ajudem a ver mais claro, mas também com a lucidez de quem sabe que só ver não chega. Quem pensa sabe que não sabe como fazer para que essa mudança aconteça, sabe que não pode ter a eficácia omnipotente do desejo, sabe que os dados estão lançados e a mão que os jogou é impessoal e oculta, alheia a vontades. Mas o seu papel – o compromisso do intelectual – hoje, como ontem e sempre, consiste, apesar disso, em dizê-lo.

Irene Borges-Duarte é professora na Universidade de Évora

Confissões

DISTIMIA

(…) eu não sou capaz de compreender inteiramente o que sou. Será o espírito demasiado estreito para conter a si mesmo? Onde, então, está o que ele não pode conter de si? Estaria fora dele, e não nele? Como, então, o contém?

Esta idéia me provoca grande admiração, e me enche de espanto. Viajam os homens para admirar as alturas dos montes, as grandes ondas do mar, as largas correntes dos rios, a imensidão do oceano, a órbita dos astros, e se esquecem de si mesmos!

(Santo Agostinho, Confissões, Livro Décimo)

A Narrativa sobre nossa própria vida.

Sapatos.VangGoghNossa existência pessoal não é um amontoado desorganizado de fatos, seu sentido se mostra nas histórias que contamos para nós mesmos e para os outros. O estabelecimento de uma costura, feito um alinhavo de linhos, permite compreender as possibilidades que se abrem para as transformações, tecendo, enxergamos nossas potencialidades.

Segundo Dulce Critelli, o padrão existencial se apoia em frases que as pessoas ouvem de outras ou que, acriticamente, dizem para si mesmas. Ela chama essas frases de “relatos”. São afirmações curtas e fragmentadas, muitas vezes aprendidas na infância, e repetidas ao longo da vida. Perpetuando-se pela repetição, perpetuam também, como se fosse fatalidade, um determinado modo de ser.

Não raro, as pessoas veem-se enredadas, presas a emaranhados de crenças e relatos fatalistas, estabelecendo, padrões que elas mesmos criaram e perpetuaram ao longo dos anos. Quando trazem tais “relatos” por exemplo, por meio da psicoterapia, submetendo-os ao crivo da reflexão, começam a se libertar desse padrão de estagnação, e assim, suas vidas podem retomar a caminhada, de modo mais fluído e coerente com novas possibilidades existenciais.

Na análise, trata-se de substituir os relatos acríticos e fragmentários que povoam a linguagem vulgar por uma historia pessoal construída a partir da reflexão própria do sujeito.

imagesÉ esperado que, ao se apoderar dessa história, da sua história, o indivíduo ao mesmo tempo, compreenda os sentidos de seu ser, se empodere, saindo da condição de vítima passiva de uma imaginária fatalidade para se tornar autor, apropriando-se de sua história e das possibilidades que se abrem..

Marcos E. F. Marinho

Precisamos resolver nossos monstros secretos

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“Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta. Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.”

(Michel Foucault)

 

 

Rios e suas profundezas

“Escrevendo, descubro sempre um novo pedaço de infinito. Vivo no infinito; o momento não conta. Vou lhe revelar um segredo: creio já ter vivido uma vez. Nesta vida, também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa. Quando escrevo, repito o que vivi antes. E para estas duas vidas um léxico apenas não me é suficiente. Em outras palavras: gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco.

O crocodilo vem ao mundo como um magister da metafísica, pois para ele cada rio é um oceano, um mar da sabedoria, mesmo que chegue a ter cem anos de idade.

Gostaria de ser um crocodilo, porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como os sofrimentos dos homens.

Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar eternidade.”

João Guimarães Rosa, em entrevista a Günter Lorenz – “Dialogo com Guimarães Rosa”.

Perdas irreparáveis e o Luto. O papel do Psicólogo.

Por Marcos E. F. Marinho

A sensação que a maioria das pessoas sente de que a vida passa rápido demais, e mais, de que ela não é estável ou de águas calmas, é um aprendizado que a maturidade traz á todos, cedo ou tarde. Como pano de fundo, a questão da consciência da própria finitude e daqueles que amamos, numa sociedade calcada na publicidade jovem, constitui-se num duplo desafio aos psicólogos que acolhem em seus consultórios, pessoas em processo de luto.

A complexidade envolvida na experiência do luto se mostra muita acima das capacidades e recursos internos de muitos indivíduos, e nesses casos o trabalho do psicólogo, se mostra de vital valor àquele que sofre. lutoO luto se apresenta de maneira distinta e variável para cada uma das pessoas, para alguns podem ocorrer por antecipação, como uma forma de organização interna em relação a uma perda eminente, para outros o luto tardio, quando o impacto é muito grande e não se pode ou não se consegue olhar para a perda no momento, e muitas vezes, a dor irreparável no momento mesmo da perda, o desespero, a dor como se algum de nossos membros fosse amputado,  e tantas outras expressões de sofrimento diante de uma perda de alguém significativo em nossa vida.

Nem sempre o luto se dá naquela famosa sequencia negação/raiva/negociação/depressão/aceitação, algumas pessoas não conseguem ultrapassar uma dessas fases e a aceitação parece estar num horizonte distante. Como então o psicólogo pode ajudar uma pessoa em processo de elaboração do seu luto? Como pode o psicólogo, no desempenho de seu papel profissional,  colaborar para que, o tratamento, torne-se a ocasião para uma efetiva elaboração da perda, capaz de produzir na subjetividade da pessoa que sofre, ferramentas internas capazes de produzir um sentido emancipatório, de maturação do Eu e de fortalecimento para o enfrentamento de frustrações e dores emocionais.

Considerando as singularidades, o primeiro passo se dá a partir de uma avaliação da condição do enlutado para que a partir daí possa ser criado um planejamento terapêutico específico, oferecendo suporte para que a pessoa possa dar conta das exigências do cotidiano tanto quanto possível. E então passar a cuidar do  essencial, o caminho da aceitação e dar sentido (existencial) a experiência da perda bem como da capacidade de seguir adiante. A estratégia clínica sob a qual a psicoterapia (tanto individual, como de grupo ou familiar) se desenvolverá, em geral, terá um objetivo que cabe para todas as situações de luto, o de elaboração do luto, a de favorecer a criação de suportes e alavancas para que a pessoa possa se adaptar à condição de viver sem aquele que se foi e estabelecer novos sentidos que possam ser compreendidos como uma reorganização de sua subjetividade e dos novas possibilidades de existir que se mostram a partir de então.

 

P.S.:Sobre as fases do luto, consagradas em estudos de psicologia sobre o enlutamento.

(*negação – (A dor da perda seria tão grande, que não pode ser possível, não poderia ser real) ; raiva – (depois da negação. Vem um pensamento de “ porque comigo?” ); A negociação – O individuo começa a avaliar a hipótese da perda, e perante isso tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que esta não seja verdade. As negociações com Deus, são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios); A depressão – A depressão surge quando o individuo toma consciência que a perda é inevitável e incontornável. Toma consciência que nunca mais irá ver aquela pessoa (ou coisa), e com o desaparecimento dele, vão com ela todos os sonhos, projetos e todas as lembranças associadas a essa pessoa ganham um novo valor. Aceitação – Última fase do luto. Esta fase é quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muittrazo da capacidade de constituir novos sentidos existenciais e novas possibilidades ).

Vida sem sustos, sem desafios?

Entre os maiores desejos que as pessoas costumam ter estão morar no exterior, fazer trabalho voluntário, escrever um livro e morar na praia. Infelizmente, isso quase nunca acontece e elas arrumam um emprego, casam, tem filhos, viajam quando dá e nunca tem tempo para escrever um livro tampouco ajudar os outros, praia só carnaval. “Muitas pessoas pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, disse Tolstói uma vez.

manadaNa ânsia por querer conquistar certas coisas na vida –casa própria, carro, um bom emprego–, as pessoas esquecem de viver e só se dão conta disso quando já têm tudo que precisam menos aquele sonho antigo. Aí elas se acham velhas demais para realizar e morrem sem nem tentar,um pouco frustradas pela vida ter passado tão depressa. Uma vida assim está longe de ser ruim, mas acho que todos nascem para ter uma experiência extraordinária aqui, viver do seu jeito e deixar a sua contribuição. Chris Guillebeau é um desses caras que podemos ter inveja da vida que leva, ele já conheceu todos os 193 países do mundo e trabalha como escritor provocando as pessoas a fazerem o mesmo: o que quer que você tenha vontade. O dele era viajar, qual é o seu?

Um dos mais inspiradores (e famosos) textos do Chris é um guia sobre “como ser ordinariamente mediano”, leitura obrigatória a todos que querem não apenas uma vida feliz, mas uma vida completa. Aqui está a minha versão do guia.

Aversão à risco

A maneira mais fácil de levar uma vida tranquila é aceitando tudo que lhe dizem. Não se destaque, faça o que os outros fazem e você estará seguro. Consiga um emprego normal, de preferência através de um concurso público e você não precisará se preocupar mais com nada. Certifique-se de nunca ser o primeiro a erguer a mão quando perguntarem algo.

Faculdade

Já que todo mundo que você conhece fez ou está fazendo, é melhor você fazer também. Isso, provavelmente, irá garantir um emprego que pague bem e lhe permitir desfrutar melhor da vida, do jeito que os mais velhos vivem. Conforto. Gaste os 4 ou mais anos conhecendo bares, entregando os trabalhos depois do prazo e reclamando dos professores. No final, é quase certo que você estará com canudo nas mãos de qualquer jeito. Certifique-se de seguir a carreira que seus pais sempre quiseram.

Finanças pessoais

Trabalhe para comprar. Comece pela casa própria financiada em parcelas suaves pelos próximos 20 anos, planeje cada cantinho com móveis sob medida para impressionar as visitas e, quando der, financie aquele carro de luxo que você tanto desejou e continue reclamando do preço exorbitante da gasolina à medida que ela vai subindo. Quando algum programa de TV ou comercial pedir a sua doação, troque de canal, afinal há sempre alguém por trás lucrando muito com as criancinhas carentes ou portadores de deficiência. Quando estiver de bom humor, doe R$10,00. Quando ficar triste, compre algum eletrônico ou roupa cara, você merece por trabalhar tanto.

Certifique-se de priorizar o cartão de crédito em vez do dinheiro, a satisfação da compra é maior apontam as pesquisas.

Viagens

Como é bom viajar! Ou será que bom mesmo é tirar um monte de fotos em terras estrangeiras e compartilhar em redes sociais? Seja como for, viaje uma ou duas vezes para fora do Brasil na vida, mas opte por destinos seguros como Paris, Londres, Madrid ou Miami. Fuja do mochilão e pegue a excursão para evitar problemas. Tem McDonald’s e Subway em mais de 100 países, então você não corre o risco de comer algo que possa estragar a sua viagem. Inglês é o idioma do mundo, não se incomode em tentar usar a língua do país, mas quem sabe eles não entendam um pouquinho de português né? Ou melhor, você não encontra um brasileiro por lá?

Certifique-se de que tudo está em completa ordem antes de pegar o avião, hotel, translados, passeios e dinheiro, muito dinheiro.

Trabalho

“Se você trabalhar esperançosamente, 8 horas por dia, quem sabe não vire patrão e trabalhe doze todo dia” escreveu uma vez o premiado poeta Robert Frost. Uma maneira agradável de dizer que trabalhar demais não é o melhor caminho para ser feliz, partindo do princípio que ser feliz envolve mais tempo para curtir a família, hobbies e outras atividades. Quem ama o que faz, nem chama seu trabalho de trabalho, então isso não vale para as raras pessoas que tem o prazer de fazer o que ama. Para a grande maioria, dinheiro e reconhecimento são os dois principais motivos. Há quem trabalha duro porque sonha em montar seu negócio, dar mais conforto à família, ficar rico ou ter uma boa aposentadoria. Viver só depois, para isso a gente se aposenta aos 65.

Então, as pessoas leem Você/SA, fazem um ou dois MBAs que pouco irão ajuda-las a lidar com os problemas do dia a dia (devido à baixa qualidade do ensino ou incongruência do curso com a posição na carreira), passam o dia em reuniões inúteis, se vangloriam de resultados, culpam os outros pelos resultados, falam mal dos chefes diariamente, nunca chamam a responsabilidade para si e desistem após primeiro grande fracasso. Essa é a típica vida corporativa. Cheia de panelinhas que servem para proteger uns dos outros como se fosse uma grande disputa. Em algum momento, será necessário mediar conflitos, foque-se na questões de personalidade em vez de valores.

Certifique-se de que todos vejam que você está trabalhando, isso é mais importante do que tentar resolver grandes problemas e até inovar.

Autoridade

Jamais desafie a máxima “sempre foi feito assim”. Os mais velhos nunca erram, certo? Novas ideias são para grandes empresas inovadoras, deixe para os americanos, apenas fique ligado para copiar o mais fiel possível. Quando todos disserem A, evite dizer B, mesmo que você acredite com todo o seu coração e tenha argumentos para embasar. Afinal, se ninguém perguntou, é porque não quer saber. E quem é você para discordar com o diretor? Se todo mundo é contra algo, seja também. Se todos estão a favor, vista a camisa. Ser popular é “cool”!

Certifique-se de que há alguém abrindo o caminho antes de dar o primeiro passo

Não se preocupe, seja feliz

É arriscado ser diferente. Ideias não convencionais assustam. Experimente dizer para sua mãe que irá deixar seu ótimo emprego em uma grande empresa, ou fechará seu consultório ou empresa bem sucedida para fazer outra coisa. Prepare os ouvidos…

O mundo é mediano, os diretores da maioria das empresas são medianos e políticos só são espertos o suficiente para tirar proveito disso. Você quer ser feliz? Então siga esses conselhos, de verdade. Evite frustrações, grandes desafios, medo de se arriscar e do novo. Você terá a companhia de bilhões de outras pessoas que levam uma vida incrivelmente mediana.

Ou Pare e olhe o que você está fazendo com a sua vida, ainda dá tempo de ser alguém extraordinário e levar a vida que você sempre quis.

Baseado no artigo: “How to be Unremarkably Average”

Texto do site:

http://www.pequenoguru.com.br/2013/07/como-ser-incrivelmente-mediano/

 

Assumir as próprias escolhas

Marcos E. F. Marinho – Psicólogo CRP 06/93232

As pessoas são muito diferentes entre si, e diferentes são as escolhas que fazem sobre a vida que querem ou não levar. Ao contrário do ditado popular nem sempre querer é poder, mas podemos com planejamento, coragem e ousadia dar passos largos rumo aos nossos maiores desejos e objetivos. No entanto em muitos momentos quando estamos diante de uma situação de escolha, ficamos ansiosos, angustiados e não raro com muito temor e medo.

Mas porque?

imagesEscolher torna-se uma situação altamente estressante para as pessoas por saberem intuitivamente que ao escolher uma coisa estará abrindo mão de outras, ou seja, na hora de escolher perceberemos primeiro o que iremos perder ou deixar, e isto causa medo.
Quando a escolha envolve mudanças concretas na vida (mudança de emprego, de cidade, casamento etc) necessariamente envolverá daquele que escolhe uma profunda reflexão, pesar todos os prós e contras que consiga levantar e avaliar se a escolha que se propõe a fazer trará mais ou menos satisfação e felicidade.
O problema é que muitas vezes temos pouco tempo e pouco conhecimento sobre as variáveis envolvidas na nossa escolha, portanto precisamos de uma opinião ou um aconselhamento que seja isento e com um distanciamento para analisar todos os lados da escolha.
É nestas situações que a figura do psicólogo pode ser um importante aliado, através de um trabalho de leitura de tudo o que está envolvido na escolha, uma reflexão sobre aquele que escolhe. E caminhando ao lado da pessoa construir um processo de decisão e de escolha, de modo maduro e coerente, atenuando as angustias e ansiedades decorrentes.


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Marcos E. F. Marinho é Psicólogo, atua desde 1994 com adultos, famílias e adolescentes em projetos sociais e da área da saúde.. Foi Psicólogo Cooperante Internacional nos anos 90. Ocupou cargos gerenciais e de assessoria técnica e pedagógica para instituições públicas e privadas. Com Mestrado em Psicologia pela PUC/SP, atende em consultório privado.

Para contato e informações: psicomarcosmarinho@gmail.com