Educação e Diálogo em Paulo Freire.

Por Marcos E. F. Marinho

O diálogo entre educador e educando, apesar de se dar em uma realidade injusta, vertical e assimétrica, torna-se possível quando essa mesma realidade é problematizada pelos que dialogam entre si.

Freire vê o dialogo em situações de aprendizagem como um processo contínuo de problematização da realidade, de ampliação da criticidade sobre o mundo e a vida e do qual resulta a percepção de que este conjunto de saber se encontra em interação. Negar o diálogo numa relação educativa favoreceria, portanto, a manutenção de relações verticais e domesticadoras (Freire, 1983).

Se somos seres-com-os-outros, não haveria pensamento isolado. Na medida em que não há homem isolado, podemos falar que estamos sujeitos a estar em diálogo uns com os outros. E as formas em que este diálogo se torna possível viriam pela comunicação entre os sujeitos, através de símbolos linguísticos (Freire, 1983). “Todo ato de pensar exige um sujeito que pensa, um objeto pensado, que mediatiza o primeiro sujeito do segundo, e a comunicação entre ambos, que se dá através de símbolos linguísticos” (Freire, P. 1983, p.44).

Nesta perspectiva de diálogo, há que existir algum tipo de comunicação e esta, para ser eficiente, requer um acordo entre os sujeitos que dialogam, a expressão verbal de um dos sujeitos tem que ser compreendida a partir de signos comuns ao outro sujeito. “A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é a transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados” (Freire, P. É condição para que haja diálogo que a comunicação seja compreensível para os que se comunicam ou se relacionam, ou seja, que se tenha um compartilhar de signos e significados, para que novos conhecimentos sejam gerados. Na obra de Freire e Shor, “Medo e Ousadia” (1986), quando Paulo Freire é instado por Ira Shor a falar sobre como ele entenderia o diálogo e uma educação dialógica, Freire diz:

“…deveríamos entender o ‘diálogo’ não como uma técnica apenas que podemos usar para obter alguns resultados. Também não podemos, não devemos, entender o diálogo como uma tática que usamos para fazer dos alunos nossos amigos […] ao contrário, o diálogo deve ser entendida como algo que faz parte da própria  natureza histórica dos seres humanos” (Freire, P. 1986, p.64).

Paulo Freire compartilha uma visão de que não nascemos prontos, de que somos inacabados, pois os homens seriam seres históricos e em construção, inacabados e inconclusos, numa realidade também ela inacabada (Freire. p.83, 2005). Naquela que é considerada uma das mais belas florações da vida intelectual de Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido”, ele afirma que a educação tem uma tarefa permanente, por sabermos que somos seres inconclusos, de possibilitar um vir-a-ser. E este inacabamento seria tanto a condição dos homens quanto da realidade que os cerca, circunda e rodeia.1983, p.46)  

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